Aprovação da Nova Carta
Em uma decisão significativa para a segurança de menores dentro da Igreja Católica nos Estados Unidos, os bispos aprovaram uma versão revisada da Carta para a Proteção de Crianças e Jovens, também conhecida como ‘Carta de Dallas’. O documento, originalmente estabelecido em 2002, foi atualizado para reforçar os procedimentos de responsabilização e transparência em casos de abuso sexual cometidos por clérigos. A votação ocorreu durante a sessão plenária de primavera da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), em Orlando, Flórida, no dia 11 de junho.
Aprimoramentos e Inovações do Documento
A versão revisada da carta introduz mudanças e acréscimos importantes, mantendo o foco na abordagem transparente e responsável das acusações de abuso. Entre as novidades, destaca-se a inclusão de um glossário com definições mais consistentes de termos, atendendo a pedidos de diversas dioceses. Inspirada em atualizações do Direito Canônico, a nova carta integra o direito do acusado à presunção de inocência e estabelece a identificação de denunciantes obrigatórios dentro da Igreja, complementando a denúncia às autoridades civis. Além disso, o documento agora permite o uso de cartas eletrônicas de aptidão e reforça a proteção de informações sob o sigilo do sacramento da penitência.
Debate e Aprovação Final
Durante a reunião, a proposta de adiamento da votação foi levantada por alguns bispos, que buscavam mais tempo para consulta junto ao conselho presbiteral. No entanto, a maioria votou contra o adiamento, argumentando que o processo de consulta já foi extenso. A carta revisada foi aprovada com 176 votos a favor, 22 contra e seis abstenções. O bispo Barry Knestout, presidente do Comitê para a Proteção de Crianças e Jovens, expressou que a conclusão do processo era uma prioridade e que o documento busca equilibrar a proteção de crianças e jovens com o devido processo e a presunção de inocência dos clérigos.
Discussão sobre Abusos contra Adultos
Apesar dos avanços na proteção de menores, um ponto de debate persistente foi a exclusão de abusos contra adultos da carta. Bispos como o arcebispo Shawn McKnight expressaram preocupação com essa omissão, considerando-a uma oportunidade perdida para abordar de forma integrada outras formas de má conduta, como abusos de poder e encobrimentos. Em resposta, o comitê administrativo da USCCB solicitou ao Comitê para Clero, Vida Consagrada e Vocações o desenvolvimento de um documento separado que abordará especificamente questões de má conduta sexual envolvendo adultos e adultos vulneráveis, garantindo que as diferentes áreas de abuso sejam tratadas em seus devidos contextos.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
