Jovens como Centro da Missão Pastoral
A Associação de Conferências Episcopais Membros da África Oriental (AMECEA) definiu os jovens como prioridade pastoral para os próximos quatro anos. A decisão, anunciada durante a abertura da 21ª Assembleia Plenária em 19 de julho, visa fortalecer a Igreja por meio da escuta, diálogo e acompanhamento sinodal em uma região com uma população predominantemente jovem.
O Bispo Charles Sampa Kasonde, presidente da AMECEA, explicou que o foco pastoral nos jovens se baseia em três razões fundamentais. A primeira é fortalecer o senso de pertencimento dos jovens à Igreja Católica, ressaltando que o engajamento deles é crucial para o futuro da humanidade e da própria Igreja.
“O futuro da Igreja está nas mãos daqueles que são fortes o suficiente para dar às gerações vindouras razões para viver e ter esperança na fé”, afirmou Kasonde, reforçando a importância de investir na juventude.
Demografia Africana e o Chamado à Ação
A escolha de priorizar os jovens também é fortemente influenciada pela realidade demográfica da África. Conforme reflexões de bispos católicos africanos, seis em cada dez africanos têm menos de 25 anos. Essa estatística exige uma “opção preferencial pelos jovens”, como destacou Kasonde.
O tema da Assembleia Plenária, “A Jornada Sinodal da AMECEA com os Jovens: Construindo Pontes de Comunhão, Esperança, Justiça e Boa Governança”, sublinha a necessidade de uma abordagem sinodal, que valoriza a escuta ativa. Inspirados pelo Sínodo sobre a Sinodalidade, os bispos entendem que a vontade de Deus é discernida através da escuta.
O Papa Leão XIV, em mensagem à assembleia, encorajou a Igreja a confiar nos jovens como “agentes de transformação” e destacou o potencial das novas tecnologias para promover o diálogo em meio à fragmentação social.
Escuta e Acompanhamento: Pilares da Sinodalidade
Kasonde enfatizou que a escuta e o acompanhamento são dimensões inseparáveis da missão sinodal. “Sinodalidade sem acompanhamento é uma teoria. Acompanhamento sem escuta é controle. Este tema mantém ambos juntos, caminhando com nossos jovens, não apenas falando sobre eles”, declarou.
Dirigindo-se aos jovens delegados presentes, o presidente da AMECEA reconheceu sua representatividade, mesmo em pequeno número, e assegurou que suas vozes e esperanças são ouvidas pelos bispos. Ele os encorajou a abraçar sua vocação, citando São Paulo a Timóteo: “Que ninguém despreze você por sua juventude, mas seja um exemplo para os crentes na palavra, na conduta, no amor, na fé e na pureza”.
Reflexões sobre a AMECEA e os Desafios Regionais
Ao celebrar os 65 anos da AMECEA, Kasonde descreveu a associação como a realização de uma visão de colaboração eclesial transfronteiriça. Ele expressou gratidão ao Papa Francisco, ao Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, e à Igreja Católica no Quênia por sediar o evento.
A assembleia também abordou os desafios enfrentados pela região, como conflitos, deslocamentos e violência. A oração pela paz na África Oriental foi um ponto central, confiando a região à intercessão de Maria, Rainha da Paz.
O Arcebispo Maurice Muhatia Makumba, presidente da Conferência dos Bispos Católicos do Quênia, reafirmou a confiança da Igreja nos jovens e os convidou a participar ativamente da vida eclesial e social. O Arcebispo Philip Subira Anyolo, anfitrião da assembleia, comparou a jornada sinodal à experiência dos discípulos de Emaús, incentivando os jovens a permanecerem firmes na fé e a serem testemunhas corajosas.
A AMECEA abrange conferências episcopais da Eritreia, Etiópia, Quênia, Malawi, Sudão do Sul, Sudão, Tanzânia, Uganda e Zâmbia. Durante a assembleia, foram examinadas questões pastorais e sociais relevantes para os jovens, como governança, desemprego, migração, exclusão social, saúde mental e evangelização na era digital.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br