Ataques no Irã: Especialistas Alertam para Transição Delicada e Risco de Escalada Terrorista Global Pós-Morte de Khamenei

Ataques no Irã: Especialistas Alertam para Transição Delicada e Risco de Escalada Terrorista Global Pós-Morte de Khamenei

Análises apontam para consolidação da Guarda Revolucionária no poder e possibilidade de ações assimétricas em todo o mundo.

O Irã foi palco de fortes explosões na manhã de 28 de fevereiro, com colunas de fumaça densa vistas sobre Teerã. O Ministério da Defesa de Israel confirmou um “ataque preventivo”, enquanto sirenes soaram em Jerusalém e alertas sobre uma ameaça “extremamente séria” foram enviados à população israelense. A notícia surge em um contexto de confirmação da morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Cenário Pós-Khamenei: Poder da Guarda Revolucionária e Baixa Probabilidade de Mudança Imediata

Especialistas em geopolítica e relações internacionais, como o coronel Paulo Filho, o comentarista Diego Tavares e o professor Niemeyer, analisaram os desdobramentos da operação militar americana e israelense. Segundo Paulo Filho, o objetivo político de Trump e Netanyahu é a mudança de regime no Irã. No entanto, a morte de Khamenei, fruto de uma operação de inteligência considerada “extensa e exitosa”, não deve levar a uma transição pacífica imediata.

“Provavelmente alguém da Guarda Revolucionária iraniana vai assumir o governo rapidamente. Eu não acredito que imediatamente todo mundo vai se render e vai haver uma mudança de regime de maneira tranquila”, afirmou o coronel. Ele destacou a resiliência do Irã, que demonstrou capacidade de contra-ataque, mas ressaltou que o país enfrenta “a mais poderosa força armada da história” aliada a Israel.

Risco de Recrudescimento Terrorista e Guerra Híbrida

A eliminação de Ali Khamenei, figura central do xiismo, levanta preocupações sobre um possível recrudescimento de ações terroristas e de guerra híbrida em escala global. “É possível sim que a gente possa vir assistir um recrudescimento de ações terroristas, não só na região, mas em todo o mundo”, alertou Paulo Filho. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) é vista como a força pronta para assumir o vácuo de poder, mantendo a estrutura de controle do regime.

Otimismo Moderado e Críticas ao Conselho de Segurança da ONU

Diego Tavares classificou o dia como “histórico” e expressou otimismo com o enfraquecimento do regime dos aiatolás, considerando que “o mundo torna-se um lugar melhor”. Contudo, ele também previu uma transição delicada, comparando a situação com a Venezuela, onde negociações ocorrem com estruturas de poder consolidadas. Acredita que as chances de uma deposição completa do regime neste momento são baixas, com Trump agindo primariamente pelos interesses norte-americanos de desmilitarização e fim do programa nuclear iraniano.

Por outro lado, o professor José Niemeyer criticou a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU diante dos ataques. Ele apontou o poder de veto de membros permanentes como um obstáculo para ações efetivas, sugerindo a necessidade de uma reforma no órgão, com a retirada do poder de veto e a ampliação de seus membros para refletir melhor a geopolítica mundial.

Fonte: jovempan.com.br

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