Anac Revela: Voepass Fornecia Informações Falsas Sobre Manutenção de Aeronaves

Anac Revela: Voepass Fornecia Informações Falsas Sobre Manutenção de Aeronaves

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, declarou em entrevista que a Voepass manipulava informações sobre a manutenção de suas aeronaves. Segundo Faierstein, a empresa reportava reparos que, na realidade, não eram efetuados, levando a Anac a crer que os procedimentos de segurança estavam sendo cumpridos.

Enganando a Fiscalização

Faierstein explicou que fiscais da Anac solicitavam a troca de peças específicas, e a Voepass apresentava documentação comprovando o serviço. No entanto, ao verificar, os fiscais constataram que as peças não haviam sido trocadas. “Muitas das informações que a empresa nos enviava eram informações falsas”, afirmou o diretor-presidente, admitindo que a agência foi enganada.

Relatório da FAB Aponta Falhas Sistêmicas

Um relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), apontou um conjunto de falhas da Voepass, da aeronave, dos pilotos e da própria Anac como causas para a queda de um avião da empresa em 9 de agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas. O relatório detalhou 19 fatores contribuintes para o acidente.

Normalização de Desvios e Cultura de Informalidade

A investigação do Cenipa destacou a “normalização do desvio” dentro da Voepass, onde falhas recorrentes em sistemas, como o de degelo, não eram relatadas pelas tripulações. O relatório aponta para uma cultura organizacional de informalidade, onde pilotos e mecânicos evitavam reportar problemas para garantir que as aeronaves pudessem voar no dia seguinte. A estrutura mecânica da empresa, segundo a FAB, chegava a utilizar peças de aeronaves inoperantes ou componentes defeituosos estocados para declarar aviões como aptos para voo.

Falhas na Supervisão e Processos da Anac

O relatório do Cenipa também identificou falhas na atuação da Anac, que não teria aproveitado adequadamente informações sobre condições de risco e falhas latentes em seus processos de gestão. A falta de supervisão sobre práticas informais na empresa e o subaproveitamento de dados sobre degradação de performance foram apontados como fatores que permitiram a operação abaixo dos níveis mínimos de segurança. Esta é a primeira vez que omissões da agência reguladora são diretamente ligadas como causadoras de um acidente aéreo.

Fonte: jovempan.com.br

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