Brasileiro em Israel: A Jornada de um Soldado Solitário nas FDI e o Impacto da Tensão Diplomática

Soldado Solitário em Terra Estrangeira

O conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, que atualmente se encontra em um cessar-fogo, trouxe à tona a presença de centenas de brasileiros servindo nas Forças de Defesa de Israel (FDI). Um desses militares é o sargento S. (nome completo preservado por protocolo militar), que há dois anos e quatro meses integra a Brigada Givati. Ele faz parte de um grupo conhecido como “soldados solitários”, termo que designa militares das FDI sem apoio familiar presencial em Israel. No ano passado, segundo dados obtidos pelo site britânico Declassified UK, 596 brasileiros serviam nas forças armadas israelenses, um número significativo dentro dos cerca de 7 mil soldados solitários registrados.

A Decisão de Servir e o Chamado para a Linha de Frente

A trajetória de S. em Israel começou aos 16 anos, quando decidiu acompanhar seus pais em uma viagem de estudos. A experiência foi tão marcante que ele optou por permanecer no país para concluir o ensino médio. Após a formatura, a escolha era retornar ao Brasil ou seguir em Israel. “Eu gostei muito daqui, é um país muito bom para morar. No fim das contas, é muito seguro, a qualidade de vida é muito boa”, relata S. Sua decisão de ficar foi reforçada por um ano de voluntariado com crianças. Contudo, os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 mudaram seus planos. “Tinha que ir para a linha de frente para devolver o que Israel já me deu”, afirma, sentindo um chamado para se tornar combatente.

Experiência na Guerra e o Valor das Amizades

Nas FDI, S. desenvolveu interesse por tecnologia, especializando-se em drones. Durante a guerra na Faixa de Gaza, ele esteve na linha de frente, atuando de forma especializada com drones. “É uma experiência que eu nunca vou me arrepender de ter passado”, declara. Para ele, o mais valioso são as amizades formadas com colegas de diversas nacionalidades, unidos pela mesma causa. “Você acaba conhecendo gente do mundo inteiro que decidiu vir fazer isso, decidiu servir no exército por uma causa maior”, pontua.

O Status de Soldado Solitário e a Relação Brasil-Israel

O status de soldado solitário, segundo S., confere um olhar de especial atenção por parte dos israelenses. “Eles te dão mais oportunidades, te dão muito mais ajuda no exército. Porque sabem que não é fácil morar sozinho”, explica. A situação se agrava com a atual tensão diplomática entre Brasil e Israel, intensificada após declarações do presidente Lula comparando a ofensiva em Gaza ao Holocausto. “Me dói muito. Saber que Israel já ajudou o Brasil em várias crises que aconteceram, se voluntariando… E de repente você vê o seu país ficando contra [Israel], é realmente uma questão que é bem difícil de ver”, lamenta. S., que sente um forte vínculo com ambos os países, afirma não conseguir escolher um lado.

Futuro nas FDI e o Legado para Novos Militares

Com a conclusão do serviço militar obrigatório se aproximando, S. já recebeu propostas para permanecer nas FDI. Seu desejo é continuar na área de drones, ensinando novos recrutas. “Nesse batalhão, nessa equipe, eu virei sargento, sargento dos drones. Então, toda a minha parte é especializada em arrumar drones, ensinar as pessoas a voar, como funciona o drone e tudo”, explica, animado com a possibilidade de seguir contribuindo e compartilhando seu conhecimento.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *