Operação de ‘policiamento paralelo’ desarticulada
Uma rede ligada ao regime comunista da China, atuando clandestinamente no Reino Unido para perseguir opositores, teve suas operações expostas com a condenação de Peter Wai e Bill Yuen pelo Tribunal Penal Central de Londres. O caso, descrito pela Promotoria britânica como uma operação de “policiamento paralelo” de Pequim, revela a extensão da vigilância transnacional orquestrada pelo governo chinês.
Agentes infiltrados e coleta de informações sigilosas
Peter Wai, com experiência como agente da Força de Fronteira britânica e policial especial, e Bill Yuen, ex-superintendente da polícia de Hong Kong e atuante no Escritório Econômico e Comercial de Hong Kong em Londres, teriam utilizado suas posições para monitorar dissidentes e apoiadores do movimento pró-democracia de Hong Kong. Segundo a acusação, Yuen teria extrapolado suas funções para reunir informações sobre ativistas e políticos que se refugiaram no Reino Unido após a imposição da Lei de Segurança Nacional em 2020. Wai, por sua vez, é acusado de receber pagamentos de fontes ligadas ao escritório comercial e de usar sistemas policiais fora do horário de serviço para obter dados sobre opositores.
Vigilância atingiu políticos e parlamentares britânicos
As investigações, que ganharam força após a interrupção de uma operação de invasão em maio de 2024, revelaram que a vigilância da rede ia além de ativistas. Mensagens telefônicas apresentadas no julgamento indicam que a dupla monitorou políticos críticos ao regime chinês, com Yuen orientando Wai a dar atenção especial a parlamentares e funcionários do governo britânico, incluindo o deputado conservador Iain Duncan Smith, conhecido por suas críticas à China. A Promotoria britânica enfatizou que as condenações enviam uma mensagem clara contra a repressão transnacional e a vigilância não autorizada em território britânico.
Reações diplomáticas e tensão entre Londres e Pequim
Após as condenações, o embaixador chinês no Reino Unido, Zheng Zeguang, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores britânico. O ministro de Segurança, Dan Jarvis, classificou as atividades como uma violação da soberania britânica. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, qualificou as condenações como uma “farsa política”, acusando o Reino Unido de manipular o judiciário para apoiar elementos “anti-China”. A embaixada chinesa em Londres e o governo de Hong Kong também reagiram, negando as acusações e classificando o caso como “manipulação política”. O caso ocorre em um contexto de crescente tensão entre Londres e Pequim, especialmente com a migração de dezenas de milhares de moradores de Hong Kong para o Reino Unido desde 2020, fugindo da repressão chinesa.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
