Brasil na Mira de Investimentos Bilionários em Terras Raras
O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca intensifica a corrida global pelas terras raras, minerais cruciais para o desenvolvimento de novas tecnologias. O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, estima um potencial de R$ 13 bilhões em investimentos no setor. No entanto, a consultoria GIN Capital projeta que apenas 35% desses recursos serão efetivamente captados até 2028, caso não haja avanços significativos no ambiente de negócios.
A Janela de Oportunidade e o Monopólio Chinês
A reconfiguração das cadeias globais, impulsionada pela rivalidade comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China, abriu uma janela de oportunidade de 18 a 24 meses para o Brasil. As terras raras, como neodímio e disprósio, são vitais para semicondutores, veículos elétricos e sistemas de defesa. Atualmente, a China domina 70% da extração e 91% do refino global, utilizando esse controle como ferramenta geoeconômica. Em resposta, os EUA e aliados promovem o “friendshoring”, buscando fornecedores confiáveis fora da influência chinesa.
O Risco de Exportar Riqueza Bruta
A principal preocupação para o Brasil é a captura de valor ao longo da cadeia produtiva. Atualmente, o país corre o risco de repetir o “erro colonial” do minério de ferro, exportando matéria-prima bruta a baixo custo e recomprando tecnologia a preços elevados. Especialistas alertam que a falta de plantas de processamento e refino local resultará na exportação do lucro, deixando apenas os passivos ambientais. A alta taxa de juros no Brasil agrava esse cenário.
Movimentações no Mercado e Alertas em Brasília
Enquanto as discussões políticas avançam lentamente, o mercado já demonstra reações. A aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela americana USA Rare Earth (USAR) por US$ 2,8 bilhões, com apoio financeiro da agência de fomento dos EUA, acendeu alertas em Brasília. A transação, que inclui um contrato de compra antecipada de 15 anos para 100% da produção, gerou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a soberania nacional. Analistas veem essa judicialização como um risco que pode elevar o prêmio de risco do Brasil para todo o setor de infraestrutura.
Interesse da Rússia e China e o Diferencial Brasileiro
A urgência americana é acentuada pelo interesse de potências rivais. A estatal russa Rosatom, através de sua subsidiária, formalizou a criação da Nadina Minerals em joint venture com uma empresa brasileira. A China, por sua vez, adquiriu a Mineração Taboca e planeja investir em terras raras extraídas de resíduos de estanho. O diferencial brasileiro reside nas argilas iônicas, mais fáceis e menos custosas de processar que as rochas duras. Esse trunfo, contudo, só se consolidará com a infraestrutura de refino e segurança jurídica.
Marco Legal e Projetos em Andamento
O debate sobre o marco legal dos minerais críticos ganhou força com a aprovação na Câmara do projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta prevê um fundo garantidor e incentivos fiscais para estimular o beneficiamento local. Apesar de debates sobre a criação de uma estatal mineral, o governo Lula optou por apoiar um modelo pragmático de incentivo ao setor privado. Diversos projetos em fase pré-operacional, como os da Aclara Resources, Meteoric Resources e Terra Brasil Minerals, somam mais de R$ 10 bilhões em investimentos potenciais, dependendo da agilidade institucional nos próximos meses.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
