China Aumenta Compra de Petróleo Russo em Janeiro
As exportações de petróleo russo para a China registraram um aumento significativo em janeiro. Segundo dados da plataforma LSEG, a China importou mais de 1,5 milhão de barris diários de petróleo russo por via marítima, um crescimento notável em relação aos 1,1 milhão de barris diários de dezembro. Uma parte considerável desse aumento foi impulsionada pelo petróleo Urals, a principal mistura de exportação da Rússia, atingindo 405 mil barris diários, o maior volume desde 2023. A parceria energética entre Rússia e China foi descrita pelo presidente russo Vladimir Putin como “estratégica”, com a China tendo adquirido mais de US$ 230 bilhões em petróleo e gás russos desde o início da invasão da Ucrânia.
Brasil Torna-se Segundo Maior Importador de Diesel Russo
O Brasil também se destaca como um importante comprador de energia russa, figurando como o segundo maior importador de diesel da Rússia em 2024. Embora as importações tenham sofrido uma queda no segundo semestre de 2025 devido a ataques ucranianos a refinarias russas, que afetaram a produção, janeiro de 2026 viu um retorno expressivo. As compras brasileiras atingiram uma média de 151 mil barris diários de diesel russo, o maior volume desde junho do ano anterior e um aumento considerável em relação aos 58 mil barris diários de dezembro.
Pressão Americana e Descontos Russos Moldam o Mercado
O aumento das exportações russas para China e Brasil ocorre em um contexto de pressão internacional, especialmente por parte dos Estados Unidos. O presidente americano Donald Trump tem buscado isolar a Rússia, incentivando países a cessarem a compra de sua energia. Essa estratégia levou a uma redução nas importações de países como Índia e Turquia. A Índia, que enfrentou tarifas americanas sobre suas importações de petróleo russo, concordou em reduzir suas compras em troca de tarifas mais baixas sobre seus produtos. A Turquia também diminuiu suas importações de petróleo Urals em janeiro.
Fatores Econômicos e Estratégicos por Trás das Importações
Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, aponta que, apesar de haver contornos ideológicos, a principal razão para o aumento das importações de energia russa pela China e pelo Brasil é econômica e operacional. Desde 2022, a Rússia tem oferecido descontos agressivos para compensar a perda do mercado europeu. Para a China, além do preço competitivo, há um componente de segurança energética e diversificação. No caso do Brasil, o fator determinante é o preço e a disponibilidade do diesel russo. Melo adverte que países que continuam comprando energia russa correm o risco de novas tarifas americanas, embora o risco para o Brasil seja considerado menor em comparação com a China, que já enfrenta disputas comerciais e tecnológicas mais amplas com os EUA.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
