Ativistas Denunciam Brutalidade Após Captura
Ativistas que integravam a Flotilha Global Sumud denunciaram neste sábado (2) a ocorrência de tortura e maus-tratos contra dois de seus membros detidos pelas forças militares israelenses. O ativista brasileiro Thiago de Ávila e o sueco-espanhol de origem palestina Saif Abukeshek foram capturados na última quarta-feira em águas internacionais, próximo à ilha de Creta, na Grécia, e posteriormente transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon, ao norte da Faixa de Gaza.
Relatos de Tortura e Negligência Médica
Segundo a Flotilha Global Sumud e advogados do Centro pelos Direitos da Minoria Árabe em Israel (Adalah), Thiago de Ávila informou à Embaixada do Brasil ter sido torturado, espancado e maltratado. Funcionários da embaixada, durante uma visita supervisionada com restrições de comunicação, observaram marcas visíveis no rosto do ativista. Ávila relatou dores intensas, especialmente no ombro, e que, apesar de ter sido examinado por um médico, não recebeu os cuidados adequados. O ativista também está em greve de fome, consumindo apenas água desde a sua captura.
Condições Degradantes e Acusações Infundadas
Saif Abukeshek relatou que foi mantido amarrado e com os olhos vendados, forçado a permanecer de bruços no chão desde a captura até a manhã de sábado, o que lhe causou hematomas no rosto e nas mãos. Ao chegar à prisão, foi informado que seria interrogado pelo Shin Bet, o serviço de segurança interno israelense, sob a acusação de pertencer a uma organização terrorista. Thiago de Ávila também denunciou a “extrema brutalidade” dos militares, afirmando ter sido arrastado pelo convés e espancado a ponto de desmaiar duas vezes. Ele também apresentava hematomas visíveis e queixas de dor intensa em uma mão, permanecendo amarrado e vendado por dois dias. Ambos foram informados que seriam interrogados também pelo Mossad.
Apelo por Liberação e Responsabilização
A Flotilha Global Sumud classificou a transferência dos ativistas para a prisão de Shikma como uma “escalada dramática”, destacando que a unidade é conhecida por deter prisioneiros palestinos em condições severas. A organização denuncia detenção arbitrária, negação do devido processo legal e violações da proibição de tortura pelo direito internacional. A Flotilha pede que os governos do Brasil, Espanha e Suécia adotem medidas diplomáticas imediatas para a libertação de seus cidadãos e que organismos internacionais intervenham para condenar as acusações e responsabilizar Israel por torturas, detenção ilegal e transferência forçada, ressaltando que os ativistas têm direitos invioláveis e dignidade humana.
Fonte: jovempan.com.br
