Movimento “Mães MAHA” pressiona governo Trump em caso de herbicida
A seis meses das eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o Partido Republicano enfrentam um novo desafio vindo de suas próprias bases de apoio: o movimento “Mães MAHA”. Formado por mulheres conservadoras adeptas do plano “Faça a América Saudável Novamente” (MAHA), uma adaptação do slogan de campanha de Trump, o grupo tem criticado o que considera uma contradição na gestão republicana.
Disputa na Suprema Corte expõe divergências sobre segurança de agrotóxicos
A polêmica gira em torno de um processo contra a Bayer, fabricante do herbicida Roundup, que chegou à Suprema Corte dos Estados Unidos. A ação questiona se a empresa deveria ser responsabilizada por não alertar sobre os potenciais riscos de câncer associados ao glifosato, ingrediente ativo do produto. Ativistas ambientais e as “Mães MAHA” realizaram uma manifestação em frente à Corte no dia da audiência, demonstrando a força do movimento.
Governo Trump alinhado à Bayer causa insatisfação
O atrito entre as “Mães MAHA” e o governo Trump se intensificou devido ao posicionamento da gestão republicana em defesa da Bayer. O advogado-geral dos EUA argumentou perante a Suprema Corte que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) já determinou que o glifosato “provavelmente não é cancerígeno para humanos”, e que cabe à EPA, e não ao Judiciário, decidir sobre a segurança de produtos químicos agrícolas. Essa postura contrasta com a preocupação das mães com a saúde de seus filhos.
Ordem executiva e Farm Bill aumentam a tensão
A insatisfação das “Mães MAHA” foi agravada em fevereiro, quando Trump assinou uma ordem executiva para aumentar a produção de glifosato nos EUA, buscando reduzir a dependência de importações. Além disso, uma disposição que protegeria fabricantes de agroquímicos contra processos estaduais foi retirada de um projeto de lei de financiamento do governo após contestações do grupo, mas voltou a ser incluída no projeto da Farm Bill, que define as políticas agrícolas e alimentares do país e cuja aprovação é crucial antes das midterms.
Avisos sobre o impacto eleitoral
Influenciadoras e ativistas ligadas ao movimento alertam para o potencial eleitoral da insatisfação. Alex Clark, apresentadora de um podcast sobre o tema MAHA, afirmou que “ninguém vota, ninguém participa de manifestações, ninguém comparece às urnas, ou não comparece se estiver indignada, como uma mãe faz”. Hilda Labrada Gore, filiada ao Partido Republicano, declarou que a lealdade das “Mães MAHA” é “aos nossos filhos, não a um partido”, e que “somos leais, realmente, à saúde das pessoas”, sinalizando que a gestão Trump pode ter subestimado a força e a determinação desse grupo.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
