Guerra Tecnológica e Segurança Nacional
A venda da mineradora brasileira Serra Verde para a americana USA Rare Earth, anunciada por US$ 2,8 bilhões, acirra a disputa global por terras raras, essenciais para tecnologias de ponta e dominada pela China. A operação, que contou com investimento direto do governo americano via agência de fomento, insere o Brasil no centro da estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência chinesa desses minerais críticos.
Serra Verde: Um Ativo Estratégico
Localizada em Minaçu (Goiás), a Serra Verde é a única produtora de elementos de terras raras em escala comercial fora da Ásia. A empresa extrai minerais de argila iônica, fundamentais para a fabricação de ímãs de alta potência utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, drones e equipamentos militares. O Brasil detém o segundo maior estoque mundial de terras raras, com 21 milhões de toneladas de óxidos potenciais, o que justifica o interesse estratégico dos EUA.
Preocupações com a Soberania e Política Industrial
Especialistas alertam para o risco de o Brasil se tornar apenas um exportador de matéria-prima, sem capturar valor agregado nas etapas de refino e metalurgia. A falta de contrapartidas que garantam a instalação de capacidade de processamento no país pode limitar os benefícios econômicos e a autonomia na definição de preços no longo prazo. A preocupação é que o centro de decisão e a captura de valor se desloquem para fora do Brasil, comprometendo a soberania sobre ativos valiosos para o século XXI.
Rede Sustentabilidade Aciona o STF
A operação gerou forte repercussão interna, levando o partido Rede Sustentabilidade a protocolar uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a venda. O partido alega que o negócio fere princípios constitucionais de soberania nacional e desenvolvimento econômico, questionando a atuação da Agência Nacional de Mineração (ANM) na autorização da transferência de controle e a presença de financiamento estatal estrangeiro em setor estratégico.
Debate sobre o Papel do Estado e o Futuro dos Minerais Críticos
O debate sobre a gestão dos recursos minerais estratégicos se intensifica. Embora o presidente Lula tenha afirmado que “ninguém será dono da nossa riqueza mineral”, a desistência da criação da estatal Terrabras, que centralizaria a exploração de terras raras, gerou divergências internas no PT. O foco agora se volta para a estruturação de um Conselho de Minerais Críticos, ligado diretamente à Presidência, visando assessoramento geopolítico e articulação com o setor privado. A postura pragmática e a negociação transparente são defendidas por especialistas para atrair investimentos e garantir contrapartidas favoráveis ao Brasil na corrida global por minerais críticos.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
