Gilmar Mendes vs. Romeu Zema: Entenda a troca de acusações e pedidos de impeachment entre ministro do STF e ex-governador
O embate se intensificou após Zema compartilhar sátiras sobre o magistrado, levando a representações ao STF e pedidos de afastamento de Gilmar Mendes.
Escalada de Conflito: Sátiras e Representações ao STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), estão em um acirrado embate. A polêmica ganhou força no início de março, quando Zema compartilhou um vídeo satírico que retratava Gilmar Mendes pedindo favores ao ministro Dias Toffoli em meio ao escândalo do Banco Master. Em resposta, Gilmar Mendes encaminhou uma representação ao ministro Alexandre de Moraes, solicitando a investigação de Zema por indícios de crime nas publicações. Moraes, por sua vez, aguarda a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir sobre a inclusão do ex-governador no inquérito.
Reações e Novas Críticas à Corte
O vídeo em questão, publicado por Zema, apresentava uma conversa entre bonecos que simulavam Gilmar Mendes e Dias Toffoli, onde um pedia ao outro para anular quebras de sigilo de sua empresa, aprovadas na CPI do Crime Organizado do Senado. A reação de Gilmar Mendes desencadeou uma série de críticas de Zema e de parlamentares da oposição. Deputados anunciaram um pedido de impeachment contra Gilmar Mendes, liderado pelo deputado federal Gilberto Silva (PL-PA), como resposta à solicitação de inclusão de Zema no inquérito das fake news.
Zema Compara Ministros à Coroa Portuguesa e Critica o STF
No dia seguinte à representação de Gilmar Mendes, em 21 de abril, Romeu Zema intensificou suas críticas ao STF. Em uma publicação, ele comparou os ministros da Corte e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à “Coroa Portuguesa”, afirmando que “No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos vendidos, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal”. A postagem, ilustrada com imagens de inteligência artificial dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de Lula e do banqueiro Daniel Vorcaro, remeteu à data da Inconfidência Mineira. No mesmo dia, Zema compartilhou um vídeo de 2018 do canal “Porta dos Fundos” que satiriza Gilmar Mendes, comentando que “se quiserem prender todos que criticarem os intocáveis, pode comprar mais caneta que vão precisar prender o Brasil inteiro”. Zema tem divulgado diariamente vídeos criticando o STF, alegando estar sendo perseguido por compartilhar uma sátira.
Acusações de Preconceito e Pedido de Impeachment
O conflito tomou um novo rumo quando Gilmar Mendes, em entrevista ao portal Metrópoles, questionou se seria ofensivo retratar Romeu Zema como um “boneco homossexual”, ao criticar uma publicação do ex-governador. Mendes pediu desculpas posteriormente por sugerir que “homossexual” seria uma ofensa, mas alegou existir uma “indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo”. Zema reagiu prontamente, acusando o ministro de demonstrar “todo o seu preconceito para o Brasil”. Além disso, Gilmar Mendes comentou sobre o sotaque mineiro de Zema, sugerindo que ele falava um dialeto “próximo do português”, o que foi rebatido por Zema como um “linguajar de brasileiro simples” em contraste com o “português esnobe dos intocáveis de Brasília”. Diante dos desdobramentos, Romeu Zema reiterou seu pedido de impeachment contra Gilmar Mendes, afirmando em entrevista à RedeTV! que a “iniciativa cabe” e esperando que o Senado tenha “coragem de apreciar”. Ele também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por não pautar processos de impeachment contra ministros da Corte, clamando por “presidente do Senado corajoso, e não presidente do Senado acovardado”. Zema concluiu que, ao ser “perseguido” por publicar uma sátira contra o que considera “fonte de negociata” no Supremo, a democracia estaria sendo atentada.
Fonte: jovempan.com.br
