Ascensão Inesperada de Candidato de Esquerda Provoca Reações nos Mercados
A possibilidade de Roberto Sánchez, candidato de esquerda, disputar o segundo turno da eleição presidencial no Peru causou turbulência nos mercados financeiros locais. Nesta quarta-feira (15), o dólar registrou alta frente ao sol peruano e a Bolsa de Valores de Lima (BVL) sofreu uma queda expressiva de 4,16%. A incerteza política gerada pela projeção de Sánchez ao lado de Keiko Fujimori, conservadora e favorita, trouxe apreensão aos investidores.
Bolsa de Valores e Dólar Sentem o Impacto da Polarização Política
A Bolsa de Valores de Lima (BVL) viu a maioria de suas ações apresentarem quedas, com destaque para o setor de mineração. A mineradora Atacocha, por exemplo, registrou um recuo de 11,76%, enquanto a Intercorp Financial Services caiu 10,44%. Paralelamente, o dólar retomou sua tendência de alta, fechando o dia cotado a 3,45 sóis, um aumento em relação aos 3,39 sóis registrados na véspera. Essa volatilidade ocorre em um contexto onde o Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) interveio com 200 milhões de sóis para conter uma valorização mais acentuada da moeda americana.
Disputa Eleitoral Acirrada e Acusações de Fraude
A configuração do segundo turno, previsto para 7 de junho, alterou-se drasticamente. Inicialmente, as projeções indicavam um confronto entre os conservadores Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga. No entanto, com a apuração avançada, Roberto Sánchez, ex-ministro do ex-presidente Pedro Castillo, ultrapassou López Aliaga, ficando em segundo lugar com 12% dos votos, contra 11,9% de seu oponente. A diferença de apenas 23 mil votos mantém a disputa acirrada, enquanto López Aliaga já alega fraude e pede a anulação das eleições, citando falhas logísticas que prejudicaram a votação no primeiro turno.
Investigações e Denúncias Marcam o Pós-Eleição
As falhas logísticas no primeiro turno, que impediram mais de 63 mil eleitores de votar, já resultaram em prisões e denúncias. José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe), foi detido após assumir responsabilidade pelos atrasos. O procurador da Junta Nacional Eleitoral (JNE), Ronald Angulo, também apresentou queixa-crime contra o diretor do Onpe, Piero Corvetto, e outros envolvidos. As acusações de fraude e a solicitação de anulação das eleições por parte de López Aliaga adicionam mais incerteza ao cenário político peruano, com reflexos diretos na economia.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
