Repressão Coordenada Contra a Defesa Legal
O caso da Igreja Zion, uma das maiores congregações cristãs evangélicas não registradas na China, entra em uma fase crítica com acusações formais, mas a defesa legal dos pastores detidos enfrenta uma repressão coordenada. Segundo a ONG China Aid, que monitora a perseguição religiosa no país, pelo menos 18 líderes cristãos correm o risco de perder seus advogados de defesa. Relatos indicam que detidos no Centro de Detenção de Beihai foram submetidos a interrogatórios intensivos sem acesso adequado a assistência jurídica.
Saúde Debilitada e Falta de Cuidados Médicos
A situação dos pastores detidos é agravada por problemas de saúde. Wang Zhong, que sofre de obstrução arterial grave após uma cirurgia cardíaca, e o fundador da Igreja Zion, Ezra Jin Mingri, que lida com diabetes instável, necessitam de cuidados médicos urgentes. A falta de acesso a tratamento adequado levanta sérias preocupações sobre o bem-estar dos religiosos em custódia.
Advogados Pressionados e Escritórios Ameaçados
A China Aid denunciou que pelo menos 17 advogados de defesa ligados ao caso sofreram punições administrativas, tiveram suas licenças suspensas ou cassadas, ou foram pressionados a abandonar a representação. O escritório de advocacia Beijing Kaimen, um fornecedor crucial de defesa jurídica, está sob ameaça de fechamento, com vários de seus advogados enfrentando suspensões e perda de licenças. Essa ação visa minar o direito à defesa e dificultar a busca por justiça para os líderes religiosos.
Apelo por Ação Internacional
Diante da intensificação da repressão, a ONG China Aid fez um apelo a líderes internacionais, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, que se reunirá com o líder chinês Xi Jinping. A organização solicita ações concretas para a libertação do pastor Ezra Jin Mingri e outros detidos, argumentando que “palavras já não bastam” diante da campanha do Partido Comunista Chinês para erradicar a vida religiosa independente. Bob Fu, fundador da China Aid, enfatizou a necessidade de os EUA responderem “com consequências e não apenas com preocupação”.
Contexto da Repressão
A megaoperação que resultou na prisão de pelo menos 30 pastores e líderes da Igreja Zion ocorreu em outubro do ano passado, em diversas províncias chinesas. Esta ação marcou a mais ampla repressão contra igrejas independentes desde 2018. O fundador da igreja, pastor Ezra Jin Mingri, foi acusado de “uso ilegal de redes de informação”, uma alegação comum contra dissidentes e ativistas religiosos na China.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
