Tomahawk: Como o míssil americano de 1.600 km de alcance usa GPS, radar e satélite para atingir alvos com precisão milimétrica

O que é o míssil Tomahawk?

O míssil de cruzeiro Tomahawk é uma arma de ataque de longo alcance desenvolvida pelos Estados Unidos, projetada para destruir alvos terrestres e marítimos de alto valor estratégico. Seu principal objetivo é realizar ataques precisos sem expor as tropas e as plataformas de lançamento a riscos imediatos no campo de batalha. Originalmente criado na década de 1970 e constantemente modernizado, o Tomahawk pode ser lançado de navios, submarinos e, em testes recentes, de baterias terrestres.

Viajando em velocidades subsônicas, o míssil voa a baixa altitude, próximo ao solo ou à superfície do mar. Essa tática dificulta sua detecção por radares inimigos, aumentando sua capacidade de sobrevivência e a chance de atingir o alvo.

Especificações e Capacidade de Precisão

Atualmente fabricado pela Raytheon, parte da gigante de defesa RTX, o Tomahawk tem uma fuselagem com pouco mais de 6 metros de comprimento e pesa cerca de 1.510 kg. Sua ogiva convencional carrega aproximadamente 450 kg de explosivos de alta potência.

A versão mais moderna, o Bloco V (Block V), é capaz de percorrer distâncias entre 1.600 e 2.500 quilômetros. Sua precisão é notável, com um Erro Circular Provável (CEP) de apenas alguns metros. Essa exatidão permite que o míssil neutralize alvos específicos, como bunkers, centros de comando ou pistas de pouso, minimizando danos colaterais à infraestrutura civil próxima.

Tecnologia de Navegação e Etapas do Voo

A eficácia do Tomahawk reside em sua capacidade de operar autonomamente após o lançamento, utilizando múltiplos métodos de orientação:

  1. Disparo e Aceleração Inicial: O míssil é ejetado por um motor de foguete de combustível sólido, que o impulsiona para fora da água ou da plataforma de lançamento. Este motor é descartado logo após cumprir sua função.
  2. Voo em Cruzeiro a Baixa Altitude: Após o descarte do foguete inicial, asas retráteis se abrem e um motor turbofan entra em operação. O míssil adota um perfil de voo rasante, a cerca de 30 metros de altura, a uma velocidade de aproximadamente 880 km/h (Mach 0,74).
  3. Guiagem Multiplataforma e Rastreamento em Tempo Real: Durante o voo, o computador de bordo utiliza navegação inercial calibrada por GPS militar. Se houver interferência no sinal de satélite, o sistema TERCOM (Terrain Contour Matching) entra em ação. Ele escaneia o relevo do terreno abaixo e o compara com mapas topográficos em 3D armazenados. Na fase final do ataque, sensores ópticos do DSMAC (Digital Scene Matching Area Correlation) processam a imagem em tempo real para garantir o alinhamento preciso com o alvo. A versão Bloco V incorpora comunicação via satélite bidirecional, permitindo o cancelamento ou redirecionamento do míssil em voo.

Uso em Conflitos e Plataformas de Ataque

O Tomahawk é frequentemente empregado nas fases iniciais de campanhas militares para neutralizar centros de comunicação, hangares blindados e defesas antiaéreas, abrindo caminho para outras aeronaves. A Marinha dos Estados Unidos o utiliza extensivamente a partir de cruzadores, destróieres e submarinos.

Variantes mais recentes foram desenvolvidas para novas missões. O Bloco Va (Maritime Strike Tomahawk – MST) foi aprimorado com radares para detectar e afundar navios de guerra inimigos. Já o Bloco Vb é otimizado com a ogiva JMEWS (Joint Multiple Effects Warhead System), projetada para penetrar múltiplas camadas de solo e concreto antes de explodir.

Curiosidades sobre o Míssil Tomahawk

  • Velocidade: Sua velocidade de cruzeiro é de aproximadamente 880 km/h (Mach 0,74), priorizando a furtividade e a navegação em vez da velocidade balística pura.
  • Custo: A produção de unidades do Bloco V custa em média US$ 2,4 milhões por míssil. Modelos mais antigos adaptados variam entre US$ 1,3 milhão e US$ 2 milhões.
  • Ogivas: Atualmente, todos os Tomahawks em serviço ativo possuem ogivas convencionais. Uma versão nuclear existiu durante a Guerra Fria (TLAM-N), mas foi desativada.

A evolução contínua do míssil Tomahawk, de sistemas analógicos para armamentos conectados em rede, reflete a necessidade militar de realizar ataques precisos a longas distâncias, adaptando uma tecnologia desenvolvida há décadas aos complexos sistemas de defesa atuais.

Fonte: jovempan.com.br

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