Varejo de Moda: Por que Algumas Redes Prosperam e Outras Patinam? A Resposta Está na Operação, Não Apenas no Mercado

O Desafio da Execução no Varejo de Moda

O mercado de franchising de moda no Brasil continua a expandir, mas o sucesso das redes está longe de ser uniforme. Enquanto algumas marcas registram crescimento acima da média, outras lutam para manter o ritmo e os resultados. Segundo Emilio Guerra, CEO da Skyler, a principal diferença não reside no cenário econômico, mas na forma como o negócio é executado. Guerra destaca que o varejo moderno transcendeu a simples oferta de produtos, exigindo agora um sistema integrado que abrange gestão, cultura organizacional, experiência do cliente e adaptabilidade constante.

Mão de Obra e Experiência do Cliente: Pilares Cruciais

Um dos desafios mais significativos para o setor é a escassez de mão de obra qualificada. Essa dificuldade, que já não é pontual, afeta tanto a indústria quanto o varejo. Enquanto a produção busca automação, as lojas enfrentam a necessidade de formar equipes coesas, desenvolver uma cultura forte e garantir um padrão de atendimento excepcional. “Se o negócio vai bem, é por causa das pessoas. Se vai mal, também”, afirma Guerra. A expansão intensifica esse problema, pois a demanda por contratação supera a capacidade de formação, levando à perda de eficiência operacional e, consequentemente, impactando os resultados financeiros.

Paralelamente, o comportamento do consumidor evoluiu. O preço, embora ainda relevante, não é mais o único fator decisivo na compra. A percepção de valor ganhou protagonismo. Produtos básicos asseguram volume, enquanto itens de maior valor agregado constroem posicionamento e margem. “Quando o cliente percebe valor em um produto de qualidade, ele paga, mesmo sendo mais caro”, explica o executivo.

A Loja Física como Espaço de Experiência

Essa mudança reposiciona a loja física. Ela deixa de ser apenas um ponto de venda para se tornar um espaço de experiência. O contato com o produto, o atendimento personalizado, a ambientação e até os estímulos sensoriais influenciam diretamente a decisão de compra e a fidelização do cliente. No franchising, essa responsabilidade recai diretamente sobre o franqueado, que precisa gerir ativamente a operação, mantendo a padronização, mas sem negligenciar a gestão de ponta. A Skyler, por exemplo, reforça a ideia de que o sucesso da rede depende intrinsecamente do sucesso de seus franqueados, exigindo acompanhamento constante em treinamento, comunicação, logística e análise de vendas.

Tecnologia e Perfil do Franqueado Impulsionam o Crescimento

Pequenas falhas operacionais podem ter um grande impacto, e a ponta da operação, muitas vezes, é a primeira a identificar esses problemas. Um exemplo disso foi um franqueado da Skyler que, ao apresentar um relatório detalhado sobre sua unidade, impulsionou a rede a revisar processos internos. Esse episódio sublinha a importância de ouvir o franqueado. A tecnologia também é uma aliada. A Skyler tem implementado RFID (identificação por radiofrequência) em suas lojas para otimizar o controle de estoque, reduzir falhas e acelerar a tomada de decisão, transformando processos que antes levavam um dia em menos de uma hora.

O perfil do franqueado também é um fator determinante. Seja o operador tradicional, que acompanha o dia a dia da loja, ou o multifranqueado, que atua como investidor com experiência em outros negócios, o essencial é que alguém esteja dedicando atenção à operação. Em última análise, o crescimento das redes de sucesso não se baseia em estratégias mirabolantes, mas na execução consistente do básico: atender bem, ouvir o cliente e ter vontade de servir. A Skyler, com 69 unidades, comprova que operar bem é o verdadeiro diferencial em um mercado competitivo.

Fonte: jovempan.com.br

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *