China intensifica censura e repressão a críticos e minorias religiosas, aponta relatório da HRW
Organização denuncia perseguição sistemática a dissidentes, assimilação forçada no Tibete e Xinjiang, e controle sobre Hong Kong.
Censura e vigilância digital como ferramentas de controle
O regime comunista da China, sob a liderança de Xi Jinping, tem ampliado significativamente seus mecanismos de censura e intensificado a perseguição a críticos do governo e minorias religiosas. Segundo o relatório anual da organização Human Rights Watch (HRW), divulgado nesta quarta-feira (4), as autoridades chinesas negam de forma sistemática as liberdades de expressão e associação. A vigilância em massa, a censura digital e o uso do sistema legal são empregados para punir dissidentes e aqueles que questionam o Partido Comunista Chinês.
Assimilação forçada e repressão em Xinjiang e Tibete
O endurecimento do controle ideológico se manifesta em políticas de assimilação forçada no Tibete e em Xinjiang, regiões com populações minoritárias significativas. Em Xinjiang, a HRW aponta que centenas de milhares de uigures, minoria étnica muçulmana, permanecem detidos injustamente, em um contexto que a organização classifica como crimes contra a humanidade. A China nega veementemente essas acusações. No Tibete, o governo incentiva a adaptação do budismo tibetano à sociedade socialista, o que levanta preocupações sobre a preservação cultural e religiosa.
Hong Kong sob regime de segurança nacional
Em Hong Kong, a imposição de um regime de segurança nacional, considerado repressivo pela HRW, tem impactado diretamente manifestações pacíficas, a imprensa e a vida cultural. Desde 2020, centenas de pessoas foram detidas sob as leis de segurança nacional, e há restrições severas a meios de comunicação, editoras e atividades acadêmicas. A organização também destaca a repressão contínua a qualquer tentativa de memória pública sobre o Massacre da Praça da Tiananmen em 1989.
Repressão transnacional e controle religioso
O relatório da HRW alerta ainda para o aumento da “repressão transnacional”, com pressões e intimidações contra comunidades chinesas no exterior e seus familiares na China. A liberdade religiosa também é rigidamente controlada, com permissão oficial para apenas cinco credos e repressão a comunidades não registradas. O documento também menciona a discriminação contra mulheres, a censura a discursos feministas e restrições a pessoas LGBTQIAPN+, apesar de uma maior aceitação social em alguns setores. A subdiretora para a Ásia da HRW, Maya Wang, ressaltou que o governo chinês sob Xi Jinping construiu um histórico desastroso em direitos humanos, ampliando e aprofundando a repressão a liberdades fundamentais.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
