A Urgência da Saúde Fiscal nos Estados Brasileiros
A saúde financeira dos estados e municípios brasileiros é um tema de suma importância para o futuro do país. Em um sistema federativo, a desorganização das contas públicas de um ente federativo impacta diretamente o cidadão, resultando em serviços públicos precários, paralisação de investimentos e aumento da carga tributária. Por isso, a responsabilidade fiscal deve ser colocada no centro do debate nacional.
O Perigo de Renegociar Dívidas Sem Mudanças Estruturais
Mecanismos como o Programa de Revitalização do Ativo Permanente e Gerenciamento de Ativos (PROPAG) têm sido implementados para evitar colapsos financeiros em estados endividados. No entanto, a adesão a esses programas não pode ser vista como um salvo-conduto para repetir erros passados. A experiência do Rio de Janeiro, que há cerca de três décadas renegocia suas dívidas sucessivamente sem contrapartidas estruturais robustas em austeridade e governança, serve como um claro alerta. O resultado tem sido alívios temporários seguidos por novos desequilíbrios, aumento do endividamento e diminuição da capacidade de investimento. A dívida total do Estado do Rio de Janeiro, que gira em torno de R$ 225 bilhões, com mais de 85% devidos à União, ilustra a gravidade da situação, onde o serviço da dívida consome parcelas crescentes do orçamento, limitando investimentos e levando o estado a uma lógica de mera sobrevivência fiscal.
Lições de Estados em Crise Financeira
Outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que também aderiram ao PROPAG, demonstram que a prática de ‘empurrar dívidas com a barriga’ não funciona. Esses estados, que vivenciaram regimes emergenciais, juros elevados e crescimento descontrolado de seus passivos, acabaram presos em uma espiral de insolvência. As consequências foram previsíveis: menor capacidade de investimento, improviso orçamentário e deterioração da qualidade dos serviços públicos.
Responsabilidade Fiscal: Mais Que Uma Obrigação, Uma Política Social
Ter equilíbrio fiscal não significa apenas ‘gastar menos a qualquer custo’, mas sim gastar com responsabilidade, previsibilidade e foco em resultados. Envolve planejar, estabelecer limites claros e modernizar a gestão pública. Quando as contas estão em ordem, o Estado recupera sua capacidade de investir em áreas essenciais, atrair investimentos privados e promover o desenvolvimento econômico sustentável. É legítimo esperar que os estados que recebem algum alívio financeiro cumpram sua parte, ajustando despesas, revendo prioridades, aumentando a eficiência e respeitando as regras fiscais. Essa não é uma exigência ideológica, mas uma obrigação com a sociedade. Sem disciplina, qualquer programa de renegociação de dívidas se torna apenas um adiamento do problema. Em última análise, a responsabilidade fiscal é uma política social, permitindo que o Estado deixe de ser refém da dívida e volte a investir no cidadão. Sem ela, promessas de crescimento e melhoria dos serviços públicos se tornam meras retóricas.
Fonte: jovempan.com.br
