Mauricio de Sousa 90 anos: Turma da Mônica já caiu 6 vezes no Enem e em vestibulares; veja questões

Mauricio de Sousa 90 anos: Turma da Mônica já caiu 6 vezes no Enem e em vestibulares; veja questões

Mauricio de Sousa, o gênio por trás da Turma da Mônica, comemora 90 anos de vida em meio a celebrações que incluem uma estátua na Avenida Paulista e um desfile no Sambódromo do Anhembi. Considerado um dos grandes nomes na alfabetização infantil no Brasil, o cartunista, que criou a turminha em 1959, viu suas personagens se tornarem patrimônio imaterial cultural de São Paulo e um elemento intrínseco à identidade nacional.

Mas o alcance da Turma da Mônica vai além dos gibis, filmes e parques. As aventuras de Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e Chico Bento também invadiram as salas de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de outros vestibulares importantes pelo país. Afinal, quem não foi alfabetizado com os quadrinhos de Sousa, não é mesmo? As bancas examinadoras, cientes desse poder de conexão, utilizam as tirinhas e personagens para testar a capacidade de interpretação, raciocínio lógico e repertório cultural dos estudantes.

O GUIA DO ESTUDANTE reuniu 6 momentos em que a Turma da Mônica marcou presença em questões de vestibulares, surpreendendo em áreas como exatas e até em uma situação envolvendo uma questão “censurada”. Confira:

1. Enem 2014 | Física: O coelhinho satélite

Em uma questão de Física, o Sansão, o coelhinho de pelúcia da Mônica, foi retratado em órbita da Terra, simulando um satélite. O enunciado desafiou os candidatos a analisarem o movimento do brinquedo, considerando a velocidade de módulo constante, o que caracteriza um Movimento Circular Uniforme (MCU). A pergunta buscou identificar a aceleração tangencial, que, no MCU, é nula, pois não há variação na velocidade do objeto.

2. Enem 2020 (PPL) | Linguagens: Quebrando estereótipos de gênero

A tirinha desta questão abordou a temática de gênero de forma sutil, mas poderosa. Cebolinha recusa o convite de Mônica para brincar de “casinha”, alegando que “homem não brinca de casinha”. Ao longo da história, ele tenta se firmar em brincadeiras tidas como “de menino”, mas todas resultam em fracasso. No desfecho, Cebolinha, desanimado, acaba se juntando a Mônica na brincadeira de “casinha”. A questão explorou a desconstrução de estereótipos de gênero, mostrando que meninos e meninas podem, sim, se envolver nas mesmas brincadeiras.

3. Enem 2020 (PPL) | Geografia: “Progresso” a que custo?

Uma tirinha mostrando um menino indígena questionando o significado de uma área devastada por “os caraíbas” (o homem branco) para um colega, que responde ironicamente “Progresso”, gerou polêmica. A questão, que abordou a relação entre sociedade e natureza, foi retirada da prova principal do Enem 2020 e aplicada apenas na versão PPL (Pessoas Privadas de Liberdade). A ironia da tirinha criticava o crescimento econômico predatório, que avança sobre o meio ambiente.

4. Enem 2023 | Física: O telefone sem fio e a física sonora

Cebolinha e Cascão brincando com o clássico “telefone sem fio” de latas e barbante serviu de base para uma questão de Física. Ao esticarem o barbante, os personagens percebem a transmissão do som. A questão indagou qual característica da onda sonora se reduz à medida que o comprimento do barbante aumenta. A resposta correta foi a amplitude, pois, com o aumento da distância, a energia da onda se dissipa, tornando o som mais fraco.

5. Enem 2025 | Física: Mônica e a quebra de taças pela voz

Em uma edição mais recente do exame, uma tirinha mostrou Mônica quebrando taças de cristal com a própria voz. A questão exigiu que os candidatos identificassem o fenômeno físico envolvido e a característica da voz responsável por ele. O fenômeno é a ressonância, que ocorre quando a frequência da onda sonora emitida pela Mônica coincide com a frequência natural de vibração da taça, levando à sua quebra. A característica associada é a frequência.

6. Unicamp 2009 | Língua Portuguesa: A variação linguística de Chico Bento

A Unicamp também já explorou o universo de Mauricio de Sousa. Em 2009, uma tirinha de Chico Bento e Zé Lelé foi utilizada em uma questão dissertativa sobre variação linguística. A prova pedia a explicação do recurso usado para caracterizar o modo de falar das personagens (grafia que aproxima da pronúncia, como “di” em vez de “de”) e se esse modo de falar era exclusivo do universo rural. A resposta apontou que, apesar do estereótipo, essa pronúncia é comum em diversas variedades do português brasileiro.

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

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