A ascensão feminina na arbitragem esportiva
Por muito tempo, o apito no futebol e em outras modalidades esportivas foi predominantemente masculino. No entanto, essa realidade mudou drasticamente. Hoje, mulheres não apenas comandam partidas importantes, incluindo finais de campeonatos e jogos de Copa do Mundo, mas também demonstram com excelência que competência, liderança e conhecimento das regras não possuem gênero. Essa conquista traz consigo uma dúvida comum: qual é o feminino de árbitro?
“Árbitra” é a forma correta, segundo os dicionários
De acordo com os principais dicionários da Língua Portuguesa, como Michaelis, Aulete e Priberam, o feminino de “árbitro” é, sem sombra de dúvida, “árbitra”. A palavra é oficialmente registrada e deve ser utilizada para se referir à mulher que dirige uma partida esportiva ou atua como mediadora em qualquer tipo de conflito.
A formação do feminino segue uma regra gramatical bastante comum no português: substantivos que designam pessoas e terminam em “-o” geralmente formam o feminino substituindo essa vogal por “-a”. Exemplos clássicos incluem médico/médica, professor/professora e advogado/advogada.
Origem e evolução do termo
A palavra “árbitro” tem suas raízes no latim “arbiter”, que significava “juiz”, “testemunha”, “mediador” ou “aquele que decide uma questão”. Muito antes do surgimento do futebol, o termo já era empregado para designar alguém escolhido para resolver disputas de forma imparcial. Com o passar dos séculos, a palavra foi incorporada ao português, expandindo seu uso para a pessoa responsável por aplicar as regras em competições esportivas.
Pioneiras que desbravaram o campo
A história da primeira árbitra de futebol ainda é um tema de debate. Embora a brasileira Léa Campos seja amplamente reconhecida como uma das pioneiras da arbitragem feminina, a própria FIFA aponta a dificuldade em confirmar com exatidão quem foi a primeira mulher a exercer oficialmente a função. Nomes como a turca Drahsan Arda (licenciada em 1967), a sueca Ingrid Holmgren (credenciada em 1966) e a austríaca Edith Klinger (supostamente atuou em 1935) também são mencionados.
A trajetória de Léa Campos é, contudo, um marco inegável. Após concluir seu curso de arbitragem em 1967, ela enfrentou uma longa batalha para obter autorização para apitar jogos. Na época, a antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) alegava que a legislação que proibia mulheres de jogar futebol também as impedia de atuar como árbitras. Léa buscou apoio na justiça e enfrentou anos de resistência até conquistar seu espaço, abrindo caminho para muitas outras mulheres.
Mulheres em destaque na Copa do Mundo e no futuro
A presença feminina na arbitragem de alto nível é cada vez mais expressiva. Na Copa do Mundo de 2026, a FIFA selecionou seis mulheres para integrar a equipe de arbitragem. A norte-americana Tori Penso, por exemplo, foi a árbitra principal de um confronto exclusivo de trio feminino, demonstrando a evolução e o reconhecimento dessas profissionais. A mexicana Katia Itzel García também foi convocada como árbitra principal, ao lado de outras mexicanas e uma nicaraguense que atuarão em funções de campo e VAR.
Esses avanços não só corrigem uma questão linguística, mas celebram a inclusão e a competência feminina no esporte, garantindo que jogos sejam conduzidos com justiça e profissionalismo por árbitras cada vez mais qualificadas.
Fonte: guiadoestudante.abril.com.br
