O Apocalipse Nunca é Solitário: Uma Jornada Compartilhada
Ao contrário de muitos jogos de survival horror, Resident Evil raramente nos deixa sozinhos em nossa luta pela sobrevivência. Uma análise dos títulos principais revela que a experiência do apocalipse é quase sempre compartilhada. Mesmo em jogos onde assumimos o controle de um único personagem por um tempo, como Ashley em Resident Evil 4 ou Mia em Resident Evil 7, a narrativa principal tende a envolver mais de um protagonista. A única exceção notável é a campanha de Ada Wong em Resident Evil 6, que constitui uma pequena porção do jogo como um todo.
A Salvação Aérea: Um Padrão de Fuga Quase Universal
Um padrão intrigante que atravessa a franquia Resident Evil são seus finais, que frequentemente envolvem uma fuga por meio de um veículo. A esmagadora maioria dos jogos culmina com a chegada de um helicóptero para resgatar os protagonistas. Essa convenção se estende até mesmo a spin-offs como Resident Evil Survivor e Dead Aim. As exceções notáveis à regra do helicóptero são Resident Evil 4 e Resident Evil Code Veronica, que apresentam outras formas de escape. Curiosamente, Resident Evil Zero é o único jogo principal que não exibe um veículo de fuga ao final de sua campanha.
O Diálogo que Entrou para a História (Negativamente): O Recorde no Guinness
O Resident Evil original, lançado em 1996, é celebrado por solidificar o gênero survival horror. No entanto, ele também conquistou um lugar no Guinness World Records em 2002 por um motivo bem diferente: “Pior diálogo em um videogame”. As atuações e falas exageradas, especialmente as de Barry Burton, com frases como “aqui está uma gazua. Pode ser útil se você, a mestre em destrancar fechaduras, levá-la com você”, tornaram-se infames e eternizadas na memória dos jogadores.
De Resident Evil 4 a Devil May Cry: Uma Transformação Inesperada
Resident Evil 4 marcou um ponto de virada significativo na série, afastando-se do terror puro para abraçar uma ação mais intensa. Antes de se tornar o jogo que conhecemos, o desenvolvimento de RE4 passou por uma fase alternativa, com trailers de um game mais focado no terror e no sobrenatural, apelidado de “Resident Evil 3.5”. A incerteza da Capcom nessa fase de desenvolvimento levou a uma mudança de direção, resultando no RE4 que marcou a geração de 128-bits e, ironicamente, deu origem à franquia Devil May Cry.
Exclusividades que Definiram Gerações: Parcerias de Sucesso
Embora os jogos de Resident Evil hoje sejam lançados para múltiplas plataformas, o passado da franquia foi marcado por exclusividades notáveis. Após a trilogia clássica, a Capcom forjou parcerias com a Sega e a Nintendo. Resident Evil Code Veronica foi um exclusivo do Dreamcast, enquanto o GameCube recebeu o remake de RE1, RE Zero e RE4. O Wii e o Nintendo 3DS também tiveram seus títulos exclusivos, como The Umbrella Chronicles, Darkside Chronicles e RE Revelations. A partir de Resident Evil 5, a série passou a ser lançada simultaneamente para todas as plataformas principais.
O Rei dos Ports: Resident Evil 4 e Suas Múltiplas Vidas
A longevidade de Resident Evil é evidenciada pelo grande número de ports que seus jogos receberam ao longo dos anos. Enquanto muitos títulos acumularam várias versões, Resident Evil 4 se destaca, ostentando impressionantes 12 ports para diferentes plataformas, incluindo dispositivos incomuns como celulares japoneses e o Zeebo. Uma dessas versões, lançada em 2007 para PC pela Ubisoft, é lembrada como um dos piores ports da história.
Comunicação à Distância: A Ilusão das Chamadas em RE4
Inspirado por títulos como Metal Gear Solid, Resident Evil 4 introduziu um sistema de comunicação com o quartel-general através de chamadas. Leon conversa com Hunnigan, Ada e até mesmo com os vilões. No entanto, uma curiosidade técnica revela que essas chamadas não são videoconferências reais. Devido a limitações de desenvolvimento da época, os personagens que aparecem nas chamadas estavam, na verdade, posicionados fisicamente atrás de um cenário, fingindo interagir com o equipamento de comunicação.
Um Gigante dos Games, Mas Ainda Atrás de Outro Ícone da Capcom
Com 30 anos de história em 2026, Resident Evil é a franquia de maior sucesso da Capcom, com mais de 183 milhões de unidades vendidas. No entanto, quando se trata de vendas de jogos individuais, a série é superada por outra gigante da Capcom: Monster Hunter. Monster Hunter: World, com sua expansão, lidera o ranking com 29 milhões de cópias, seguido por MH Rise com 18 milhões. O jogo de Resident Evil mais vendido é o remake de RE2, com 16,80 milhões de cópias, demonstrando a força contínua da franquia de terror, apesar de não dominar o topo de vendas individuais de jogos da empresa.
Fonte: canaltech.com.br
