Chancelaria Peruana Desmente Acusações de Manipulação de Votos no Exterior

Chancelaria Peruana Nega Manipulação de Votos no Exterior

O Ministério das Relações Exteriores do Peru emitiu um comunicado oficial nesta sexta-feira (19) para refutar veementemente as acusações de manipulação nos resultados de votos no exterior. As alegações foram feitas pelo candidato de esquerda Roberto Sánchez, que disputa o segundo turno da eleição presidencial peruana.

Candidato de Esquerda Questiona Integridade do Processo

Roberto Sánchez havia declarado na quinta-feira (18) que a mudança de regras para o segundo turno, supostamente a pedido do Ministério das Relações Exteriores, representou um “duro golpe para o processo eleitoral” e que a “cadeia de custódia foi quebrada”. Ele exigiu transparência sobre o ocorrido, afirmando que a metodologia adotada permitiu a manipulação da votação em um pleito acirrado.

Ministério Explica Uso e Não Uso de Ferramenta Digital

Em sua nota, a chancelaria peruana rejeitou “qualquer alegação que atribua aos seus funcionários consulares atos de interferência, manipulação, favorecimento político ou alteração de material eleitoral”. O ministério explicou que, no primeiro turno, um aplicativo para digitalização de atas eleitorais foi utilizado como medida complementar a pedido do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). Contudo, devido a dificuldades técnicas e operacionais relatadas por diversas repartições consulares, decidiu-se, em coordenação com o Onpe, não utilizar a ferramenta no segundo turno, realizado em 7 de julho.

Garantias de Segurança e Transparência no Processo Eleitoral

A pasta ressaltou que a decisão de não usar o aplicativo não alterou a Lei Orgânica das Eleições nem o procedimento legal para a devolução do material eleitoral. O Ministério das Relações Exteriores assegurou que a não utilização da ferramenta não criou lacunas na cadeia de custódia ou períodos sem controle do material. As atas foram lacradas, publicadas de forma transparente nos consulados e o material eleitoral foi transportado com segurança, incluindo via mala diplomática, com acompanhamento de funcionários consulares. Todas as atas e cédulas chegaram intactas à sede do Onpe em Lima, conforme comprovam os recibos.

Fiscalização e Acompanhamento Internacional do Processo

A chancelaria peruana destacou ainda que os consulados facilitaram a participação de representantes de organizações políticas e a fiscalização por autoridades competentes. O processo eleitoral no exterior contou com o acompanhamento de funcionários da Justiça Eleitoral peruana em Buenos Aires e outros consulados, além de observadores internacionais e representantes da Defensoria Pública.

Contexto Eleitoral: Apuração Acirrada e Impugnações

O contexto da disputa eleitoral é de grande acirramento. Keiko Fujimori lidera a contagem com 50,118% dos votos válidos, contra 49,882% de Roberto Sánchez, uma diferença de quase 44 mil votos. O resultado final ainda depende da análise de 439 atas restantes e de mais de 1,6 mil atas enviadas à Justiça Eleitoral por apresentarem inconsistências. Nesta semana, um pedido de Sánchez para anular votos no exterior foi rejeitado pela Justiça, e seu partido declarou que não reconhecerá os resultados do segundo turno.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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