Eleição na Colômbia: Acordo de Paz com Farc e Segurança Pública Polarizam Disputa Presidencial

Um Cenário de Polarização Intensificada

A Colômbia se dirige a um segundo turno eleitoral presidencial neste domingo (21), com uma disputa acirrada entre o senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro, e o advogado de direita nacionalista Abelardo de la Espriella. As divergências entre os candidatos abrangem desde a política externa até a economia, mas a polarização, em um nível inédito no país, é impulsionada primordialmente pela segurança pública, a principal preocupação dos colombianos.

O Legado do Acordo de Paz com as Farc

O pacto de paz selado em 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) surge como um fator de grande influência no pleito. Iván Cepeda, com histórico como ativista de direitos humanos e participação nas negociações com as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN), defende a continuidade do plano “Paz Total” de Petro, que visa acordos com outros grupos guerrilheiros. Em contrapartida, Abelardo de la Espriella rejeita veementemente novos compromissos com as guerrilhas, argumentando que tais acordos não solucionam os problemas de segurança. Seu movimento, Defensores da Pátria, sustenta que a única via eficaz foi o confronto direto, classificando os acordos posteriores como um “desfile de impunidade”.

Segurança Pública: O Eixo Central da Campanha

A polarização se manifesta em acusações mútuas: a direita alega ligações de Cepeda com as Farc e suas dissidências, enquanto o candidato de esquerda aponta vínculos de Espriella com grupos paramilitares. A liderança de Espriella nas pesquisas sugere que uma parcela significativa da população compartilha da visão de que os acordos com guerrilhas não foram eficazes. Dados do Banco Mundial indicam que, embora a taxa de homicídios tenha diminuído desde o auge do poder guerrilheiro, o país estagnou em um índice de 25 assassinatos por 100 mil habitantes nos últimos anos, índice considerado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Crimes de grande repercussão atribuídos a grupos armados, como o assassinato do senador Miguel Uribe Turbay e um atentado a bomba no departamento de Cauca, reacenderam o medo na população.

A Eleição como um “Plebiscito sobre Segurança”

Analistas políticos descrevem a eleição como um “plebiscito sobre segurança: negociar ou reprimir”. Adriana Melo, especialista em finanças, destaca que Cepeda representa a continuidade da “Paz Total”, com foco em negociação e reintegração, enquanto Espriella propõe uma ofensiva dura contra grupos armados. Melo ressalta que, dez anos após o acordo com as Farc, a pacificação ficou incompleta, com dissidências e economias ilegais ocupando espaços. A possível interferência dos Estados Unidos, com apoio de Donald Trump a Espriella, também reflete a divisão entre uma agenda mais próxima a Petro ou um retorno a uma rota mais dura e pró-segurança. Victor Missiato, professor de história, aponta que o discurso de Espriella, voltado para o endurecimento e fortalecimento do Estado, em contraste com o modelo de El Salvador, intensifica a polarização em um segundo turno com projetos tão distintos para a segurança pública.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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