Quem foi Niño Guerrero? O chefão do Tren de Aragua morto em operação conjunta EUA-Venezuela

O fim de uma era criminosa

Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o temido “Niño Guerrero”, 43 anos, principal líder do grupo criminoso Tren de Aragua, foi morto em uma operação militar conjunta entre Estados Unidos e Venezuela. A ação, ocorrida em 12 de junho, encerra a trajetória de um dos criminosos mais procurados do hemisfério.

Da periferia ao crime internacional

Nascido em Maracay, Venezuela, em 1983, Niño Guerrero iniciou sua carreira no crime nos anos 2000 com pequenos delitos. Sua escalada de violência se tornou notória em 2005, após assassinar um policial. Fichado internacionalmente e incluído na lista de procurados do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), Guerrero Flores transformou o sistema prisional venezuelano em seu centro de operações.

Preso em 2010 e enviado ao Centro Penitenciário de Aragua, ele teria fugido com a ajuda de agentes penitenciários. Recapturado em 2013, consolidou-se como o principal líder dentro das prisões, ditando ordens e expandindo o alcance do Tren de Aragua. O presídio se tornou uma fortaleza luxuosa, com piscina, campo de beisebol, discoteca e até zoológico, tudo financiado por redes de extorsão.

Tren de Aragua: A “multinacional terrorista”

Com origem no início dos anos 2010, o Tren de Aragua evoluiu de um suposto sindicato de trabalhadores para uma organização criminosa transnacional sob a liderança de Niño Guerrero. Aproveitando o fluxo migratório gerado pela crise venezuelana, a facção espalhou suas células criminosas a partir de 2018 por países como Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil e Panamá.

O portfólio de crimes do grupo se expandiu para além do narcotráfico, incluindo redes internacionais de contrabando de migrantes, tráfico humano para exploração sexual, extorsão, agiotagem e assassinatos sob encomenda. A organização também é conhecida por explorar minas ilegais de ouro e fornecer armamento militar.

A caçada e o fim em Bolívar

Em 2025, o Tren de Aragua foi formalmente designado como Organização Terrorista Estrangeira pelo governo dos EUA, que oferecia recompensa de até US$ 5 milhões por informações sobre Guerrero. O criminoso respondia a processos criminais em Nova York por extorsão, tráfico de armas e apoio a atividades terroristas.

A operação que resultou na morte de Niño Guerrero ocorreu no sudeste do estado venezuelano de Bolívar, liderada pelo Comando Sul dos EUA (Southcom) com apoio da CIA. A inteligência americana identificou um complexo residencial oculto onde o líder terrorista se escondia. Um vídeo divulgado pela administração americana mostra o momento de um ataque preciso que reduziu o quartel-general improvisado a escombros. Confrontos armados registrados durante a varredura do perímetro após o ataque teriam sido o momento da morte de Guerrero.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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