Regulamentação do Mover revoluciona mercado automotivo: eletrificação e eficiência energética em foco até 2030

Regulamentação do Mover revoluciona mercado automotivo: eletrificação e eficiência energética em foco até 2030

Nova portaria do programa estabelece metas rígidas e muda cálculo de emissões, impulsionando híbridos e tecnologias limpas no Brasil.

A publicação recente da portaria que regulamenta o Programa de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) marca um ponto de virada para a indústria automotiva brasileira. Estabelecido em abril de 2025 e com regras detalhadas divulgadas em janeiro de 2026, o programa define um caminho claro para montadoras e importadoras atingirem metas ambiciosas de eficiência energética e redução de emissões até 2030.

Mudança de Paradigma: Do Tanque-à-Roda para o Poço-à-Roda

Uma das alterações mais significativas introduzidas pela nova regulamentação é a mudança na metodologia de cálculo. A métrica “tanque-à-roda”, que avaliava o consumo de combustível do veículo em si, foi substituída pela abordagem “poço-à-roda”. Este novo método abrange toda a cadeia de produção e fornecimento de energia, desde a extração ou geração até o uso final no veículo, proporcionando uma visão mais abrangente e precisa do impacto ambiental.

Eletrificação como Prioridade e o Papel dos Híbridos

A eletrificação deixa de ser apenas uma vitrine para se tornar um pilar estratégico. A consultoria K.LUME prevê que a exigência de metas mais técnicas e a ponderação dos resultados pelos volumes emplacados forçarão as montadoras a otimizarem seus portfólios. Nesse cenário, os veículos híbridos, especialmente os leves (MHEV), tendem a ganhar destaque devido aos fatores de multiplicação iniciais favoráveis no cálculo do programa. A necessidade de um mix de produtos alinhado à legislação vigente impulsionará a inovação e a oferta de tecnologias mais limpas.

Política de “Bônus e Malus” e Expectativas de Eficiência

O Mover opera sob o princípio de “bônus e malus”: quem polui mais é penalizado, e quem adota tecnologias mais eficientes é beneficiado. A portaria detalha os procedimentos para medição, reporte e auditoria, eliminando a subjetividade e garantindo a eficácia do programa. Espera-se que a eficiência energética da frota brasileira melhore entre 8% e 12%. No entanto, especialistas como Murilo Briganti, da Bright Consulting, apontam que o mercado nacional tem histórico de superar metas, sugerindo um avanço potencial ainda maior, que pode chegar a 45% cumulativamente desde 2012, consolidando o Brasil como referência em mobilidade sustentável.

Auditoria Anual e Adaptação Contínua

Para assegurar o cumprimento das metas e a transparência, o programa prevê auditorias anuais. Além disso, um grupo técnico será responsável por revisar e ajustar os parâmetros ao longo dos anos, garantindo que o Mover permaneça alinhado às inovações tecnológicas e às necessidades de sustentabilidade. A criação de créditos por tecnologias e a aplicação de fatores de multiplicação para diferentes tipos de propulsão (híbridos, elétricos, células de combustível) incentivam a adoção de soluções inovadoras e a busca por emissões cada vez menores.

Fonte: quatrorodas.abril.com.br

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