Brasil em Alerta: Risco de Dependência de IA Estrangeira
O Brasil enfrenta um risco iminente de se tornar um mero consumidor de tecnologias de Inteligência Artificial (IA), ficando à mercê de plataformas desenvolvidas em outros países. Ronaldo Lemos, renomado especialista em direito digital e membro do Conselho de Supervisão da Meta, destacou essa preocupação durante um debate no Web Summit Rio. Segundo ele, a verdadeira ameaça não reside na falta de regulamentação, mas na ausência de uma política industrial robusta que fomente o desenvolvimento de capacidades locais.
A Tradição Brasileira em Software Livre como Alicerce
Lemos argumenta que o caminho para a autonomia tecnológica passa pelo abraço aos modelos de código aberto (open source). Ele ressalta a longa e bem-sucedida tradição do Brasil em software livre como evidência do potencial dos desenvolvedores brasileiros. Essa experiência demonstra que o país possui tanto o perfil técnico quanto a cultura colaborativa necessários para liderar a agenda de IA. “Temos que abraçar os modelos open source e olhar para esses modelos para podermos retreiná-los, dar a eles capacidades locais, e tropicais, por que não dizer? E isso os nossos desenvolvedores podem fazer como ninguém”, afirmou Lemos.
Barreiras Estruturais e o Papel do Analfabetismo Funcional
Apesar do expressivo número de usuários brasileiros nas ferramentas de IA, como apontado por Bruno Lewicki, chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina, o consumo sem produção local não resolve o problema estrutural de dependência. Durante o painel, o analfabetismo funcional foi identificado como uma barreira significativa. Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) revelam que apenas 10% dos brasileiros possuem domínio pleno do português, o que limita o acesso e o benefício de qualquer modelo de IA, independentemente de sua origem ou licenciamento.
O Exemplo do Vietnã e a Busca por uma IA Brasileira
Como modelo de política pública bem-sucedida, Lemos citou o Vietnã. O país asiático não só alcançou um crescimento econômico notável, tornando-se um grande exportador de tecnologia, como também desenvolveu uma legislação de IA com foco claro na independência tecnológica. O especialista brasileiro defende que o Brasil não precisa copiar modelos estrangeiros, mas pode criar sua própria legislação de IA, que sirva de exemplo para o mundo. “A gente não precisa copiar ninguém. Podemos fazer uma lei brasileira de inteligência artificial que seja exemplo para o mundo todo”, concluiu.
Fonte: canaltech.com.br
