Eleições no Peru: Economia resiliente enfrenta desafio da instabilidade política em votação decisiva

Eleições no Peru: Economia resiliente enfrenta desafio da instabilidade política em votação decisiva

Em meio a um cenário de alta rotatividade de presidentes, o país sul-americano demonstra força econômica, mas riscos pairam sobre o futuro com propostas antagônicas dos candidatos

O Peru se encontra em um momento crucial com a eleição presidencial em segundo turno neste domingo (7), onde a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez disputam a liderança do país até 2031. O cenário político peruano é marcado por uma instabilidade crônica, com oito presidentes desde 2016 e um histórico de condenações judiciais a ex-mandatários. Contudo, a economia do país tem demonstrado uma notável capacidade de resiliência, mantendo indicadores positivos mesmo diante das turbulências.

Economia peruana: um porto seguro em meio à tempestade política

Relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em maio destacou o desempenho da economia peruana, com crescimento de 3,4% no ano anterior. O déficit do setor público não financeiro apresentou redução, situando-se em 2,2% do PIB em 2025, dentro da meta fiscal. A inflação permaneceu em 1,5%, e o país se beneficia dos “termos de comércio mais favoráveis desde a década de 1950”. O FMI atribui essa robustez à combinação de altos preços de metais e baixos custos de importação, que compensam o aumento global do petróleo e a volatilidade recente do cobre e ouro.

A confiança empresarial e do consumidor atingiu níveis recordes desde 2020, impulsionando as projeções de crescimento e aprimorando os equilíbrios macroeconômicos. O FMI elogiou o regime de metas de inflação, a supervisão financeira rigorosa e as políticas macroprudenciais adequadas do Peru, que resultaram em amplas reservas e uma das menores relações dívida pública/PIB da região. A autonomia do Banco Central peruano é um fator chave, permitindo a definição de metas de crescimento e uma política monetária mais assertiva, segundo Ludmila Culpi, economista e professora da PUCPR.

Riscos à blindagem econômica e o impacto da instabilidade

Apesar da solidez econômica, o FMI alerta para os riscos que a persistente instabilidade política representa. A imprevisibilidade das políticas públicas e a fragmentação política dificultam a implementação de reformas essenciais para o crescimento. Além disso, o aumento da criminalidade, embora ainda baixo na região, tem afetado o ambiente de negócios e gerado uma sensação de impunidade.

Culpi ressalta que a prolongada crise política impede que a economia peruana atinja seu potencial máximo de crescimento. Ela descreve o fenômeno como uma “economia zumbi”, que segue sua dinâmica interna com instituições autônomas e produtos valorizados externamente, mas sujeita à volatilidade política que afeta ministérios e a continuidade de projetos. A alta rotatividade de presidentes e ministros compromete a execução de políticas de longo prazo.

Propostas antagônicas: um dilema para o futuro econômico

Os candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez apresentam visões econômicas radicalmente opostas. Fujimori propõe o fomento da economia de mercado, a manutenção da independência do Banco Central, a redução do déficit fiscal para 1% do PIB até 2031 e a atração de investimentos privados anuais de até US$ 7 bilhões. Em contrapartida, Sánchez defende a alteração da Constituição para estatizar recursos naturais, aumentar a participação do Estado na economia, revogar contratos considerados prejudiciais à soberania nacional e renegociar acordos de livre comércio.

Segundo Culpi, Keiko Fujimori apresenta maior probabilidade de vitória, dada sua agenda de redução do papel do Estado e austeridade fiscal, que se alinha a uma tendência mundial de aumento da dívida pública. A escolha entre os dois candidatos definirá os rumos da economia peruana, que, apesar de resiliente, clama por estabilidade para alcançar um desenvolvimento pleno.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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