Busca por diálogo e estabilidade
O candidato de esquerda à Presidência do Peru, Roberto Sánchez, afirmou que deseja estabelecer relações “respeitosas” com os Estados Unidos, mesmo diante da crescente influência da China, que é o principal parceiro comercial peruano. Em meio a um cenário de alta criminalidade e instabilidade política, Sánchez, que disputa o segundo turno contra a candidata de direita Keiko Fujimori, destacou a importância da boa vizinhança e das relações diplomáticas entre as nações.
“Acredito que é uma prioridade sempre. E o Peru, que tem relações históricas com os Estados Unidos, não pode ser a exceção. Essa vai ser nossa vocação de governo”, declarou Sánchez à AFP. O candidato tem buscado transmitir uma mensagem de consenso e estabilidade, buscando acalmar eleitores conservadores que poderiam se assustar com propostas de mudança radical.
Continuidade econômica e investimentos
Sánchez sinalizou a intenção de manter a política econômica atual, com respeito à independência do Banco Central e às normas macroeconômicas já estabelecidas. Ele reforçou a visão internacionalista e de economia aberta do seu projeto, baseada no respeito e na reafirmação das políticas que o Peru tem seguido nas últimas décadas. O candidato também abriu as portas para investimentos americanos, citando o projeto do terminal portuário de Corio como uma oportunidade.
Apesar de defender o porto de Chancay, desenvolvido com capital chinês, Sánchez enfatizou que o Peru está aberto a investimentos de outros países, incluindo os Estados Unidos. “Para nós, o comércio, a atividade portuária neste caso, é muito importante para desenvolver o país, e não vamos colocar ‘poréns’, mas temos que exigir soberania, somos sempre”, ressaltou.
Fim do “desgoverno” e equilíbrio de poderes
O Peru tem enfrentado uma profunda instabilidade política, com oito presidentes desde 2016, incluindo destituições pelo Congresso e renúncias. Sánchez defende um consenso político para frear o uso indiscriminado do poder de destituição do Congresso, que tem sido acionado com base na alegação de “incapacidade moral permanente”.
“Temos que recuperar o equilíbrio de poderes, a separação de poderes, regular a vacância por incapacidade moral permanente no cargo de presidente”, disse o candidato, argumentando que isso permitirá “acabar com esse desgoverno que começou em 2016”. Sánchez se apresenta como porta-voz dos eleitores mais pobres e das áreas rurais, atribuindo a instabilidade a elites e ao parlamento.
Fonte: jovempan.com.br
