Apoiadores de Evo Morales bloqueiam aeroporto e estradas em protesto
Apoiadores do ex-presidente boliviano Evo Morales, autodenominados “evistas”, intensificaram os protestos no país, chegando a bloquear o aeroporto de Chimoré, em Cochabamba, neste sábado (16). O objetivo seria impedir uma possível operação de prisão contra Morales, que enfrenta processos judiciais e três ordens de detenção, incluindo acusações de abuso sexual e tráfico de pessoas. Os atos se somaram a uma onda de manifestações que já ocorria na Bolívia, ampliando bloqueios de estradas em diversas regiões e provocando desabastecimento de alimentos, combustíveis, medicamentos e oxigênio hospitalar, especialmente em La Paz e El Alto.
Manifestantes usam táticas para dificultar ações de segurança
No aeroporto de Chimoré, os manifestantes espalharam pedras e galhos na pista para impedir pousos e decolagens. Um dos líderes do movimento, Teófilo Sánchez, declarou que os apoiadores estão dispostos a defender Morales “mesmo que custem vidas”. O aeroporto de Chimoré, localizado no principal reduto político e sindical de Morales, já foi palco de ocupações anteriores, especialmente após a crise política de 2019, quando o ex-presidente deixou o país em meio a denúncias de fraude eleitoral.
Operação governamental para liberar estradas termina em confronto
Em resposta aos bloqueios, o governo boliviano lançou a operação “Corredor humanitário”, mobilizando cerca de 2.500 policiais e 1.000 militares para liberar as rodovias e garantir o fluxo de suprimentos essenciais. A operação, contudo, resultou em confrontos em vários pontos, com manifestantes lançando pedras e explosivos contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. A Defensoria do Povo da Bolívia informou a prisão de ao menos 57 pessoas. Em algumas áreas, militares e policiais recuaram para evitar confrontos diretos com marchas de seguidores de Morales.
Crise humanitária e repercussão internacional
A interrupção do tráfego nas estradas já causou a morte de pelo menos três mulheres que não conseguiram atendimento médico a tempo. A situação humanitária na Bolívia gerou preocupação internacional, com Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru emitindo uma declaração conjunta condenando ações desestabilizadoras e expressando apoio ao governo constitucional de Rodrigo Paz. O governo boliviano acusa Evo Morales de orquestrar um plano de ruptura institucional, supostamente financiado pelo narcotráfico. Morales nega as acusações e alega ser vítima de perseguição política.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
