Trump na China: Comércio, Taiwan e Irã no centro da tensa reunião com Xi Jinping

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma visita de dois dias à China para um encontro crucial com o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim. A reunião, a primeira de um presidente americano ao país asiático desde 2017, ocorre em um cenário de relações diplomáticas instáveis entre as duas maiores economias globais. A delegação de Trump inclui figuras proeminentes do setor empresarial americano, como Elon Musk e Tim Cook, sinalizando a expectativa de grandes acordos comerciais.

Apesar da trégua firmada em outubro de 2025 após uma guerra tarifária, as exportações chinesas para os EUA continuaram a cair, indicando uma reorientação comercial da China para outros mercados. Espera-se que a cúpula avance na criação de fóruns bilaterais permanentes para gerir a relação comercial e de investimentos, com a possível formalização de um “Conselho de Comércio” e um “Conselho de Investimentos”. A China também deve anunciar compromissos de compra de produtos agrícolas e de energia americanos, com destaque para uma encomenda de até 500 aeronaves Boeing 737 MAX, o maior pedido da história para o modelo.

Taiwan e a sombra da tensão geopolítica

Taiwan emerge como um dos temas mais delicados do encontro. Pequim considera a ilha democrática um ponto central na relação bilateral com os EUA, e advertiu Washington sobre os riscos de se envolver com Taipei. Trump indicou que discutirá a venda de armas americanas a Taiwan com Xi, uma declaração que aumenta a incerteza sobre a posição dos EUA na defesa da ilha. Analistas apontam que Xi pode buscar concessões americanas, como a mudança na linguagem sobre a independência de Taiwan e a limitação de vendas de armas e cooperação de segurança.

A possibilidade de Taiwan ser usada como moeda de troca em negociações comerciais preocupa autoridades taiwanesas. A composição da delegação americana, com maior ou menor presença de autoridades econômicas em detrimento de militares e de segurança nacional, pode indicar o peso que a ilha terá nas conversas.

Guerra no Irã e controle nuclear em pauta

O conflito no Oriente Médio, envolvendo EUA, Israel e Irã, também deve pesar na cúpula. Trump deve pressionar Xi a usar sua influência sobre Teerã para buscar um acordo que encerre a guerra e permita a reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o fornecimento de petróleo. Washington tem intensificado a pressão sobre Pequim, com sanções a refinarias chinesas acusadas de comprar petróleo iraniano.

Em outra frente, o controle nuclear é abordado após o colapso do tratado New START. Trump defende um novo acordo que inclua a China, mas Pequim, que tem acelerado a expansão de seu arsenal, demonstra pouco interesse em negociar limites, argumentando que seu poderio é significativamente menor que o dos EUA e da Rússia.

Minerais críticos, IA e direitos humanos

A disputa a longo prazo entre os dois países abrange ainda o domínio sobre minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, onde a China detém uma vantagem significativa no processamento. A inteligência artificial (IA) é outro ponto de atenção, com os EUA buscando manter sua liderança tecnológica enquanto a China tenta reduzir a distância, enfrentando restrições americanas a chips avançados.

Trump também prometeu discutir com Xi casos de presos políticos, como o do magnata da mídia Jimmy Lai e do pastor Jin Mingri, em Hong Kong, e de americanos condenados por tráfico de drogas. A repressão religiosa na China e a situação de liberdade religiosa também devem ser abordadas, com recomendações de sanções americanas contra o país.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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