A Confusão Comum
Em meio a manifestações que ganham força contra a violência às mulheres no Brasil, frases como “Nem uma a menos!” e “Nenhuma a menos!” têm sido vistas em cartazes e ouvidas em gritos de ordem. Embora as duas expressões sejam gramaticalmente corretas e soem de forma muito parecida, elas carregam diferenças sutis de sentido, que podem alterar a ênfase da mensagem.
O Significado de “Nem Uma”
A expressão “nem uma” é formada pela junção do advérbio de negação “nem” com o numeral “uma”. O uso de “nem uma” serve para dar ênfase à ausência, mesmo da menor parte de um todo. É uma negação mais forte, que pode transmitir a ideia de frustração e pode ser substituída por “nem uma sequer” ou “nem uma única”.
Exemplos:
- Nem uma gota de chuva caiu durante a seca.
- Nem uma pessoa se voluntariou para a tarefa difícil.
- Nem uma palavra de conforto foi dita a ele.
O Que Significa “Nenhuma”?
Por outro lado, “nenhuma” é a forma feminina do pronome indefinido “nenhum”. Ele se refere à inexistência ou ao esvaziamento total de algo, indicando que a quantidade é zero. A ideia é de que algo não existe de forma alguma.
Exemplos:
- Nenhuma esperança restava para o time.
- Ele não demonstrou nenhuma reação ao ouvir a notícia.
- Nenhuma criança foi deixada para trás.
A Nuance nas Manifestações
Ao voltarmos às manifestações, a escolha entre “nem uma” e “nenhuma” reside na intensidade e no foco da mensagem. “Nenhuma a menos” tende a focar no conjunto, na ideia de que não se deve aceitar a diminuição do número de vítimas da violência. Já “nem uma a menos” carrega um peso maior na unidade, ressaltando que nem sequer uma vida individual deve ser perdida, dando ênfase à singularidade de cada mulher.
Ambas as formas estão corretas e cumprem seu papel de expressar a indignação e o clamor por justiça e segurança, mas a escolha entre elas pode afinar a mensagem transmitida pelo protesto.
Fonte: guiadoestudante.abril.com.br
