Nova Ordem em Ormuz
O Irã declarou neste domingo (10) a implementação de um “novo sistema jurídico e de segurança” no Estreito de Ormuz. O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Mohammad Akraminia, advertiu que nações que aderirem às sanções impostas pelos Estados Unidos contra o Irã enfrentarão “problemas” ao cruzar a estratégica via marítima. Segundo Akraminia, o Irã agora exerce um controle “fundamental e estratégico” sobre o estreito, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.
Soberania e Controle Estratégico
O chefe militar iraniano enfatizou que o país exerce “soberania sobre o Estreito de Ormuz” e que qualquer embarcação precisará de coordenação prévia para atravessar. Akraminia ressaltou que o Irã não utilizou anteriormente todo o potencial geopolítico do estreito, permitindo livre trânsito para aliados e adversários. No entanto, o atual conflito levou Teerã a redefinir o controle sobre esta rota vital para a economia global, que também movimenta importantes volumes de gás natural e outras matérias-primas.
Ameaça ao Bahrein e Reação na ONU
Em um desenvolvimento relacionado, a Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã ameaçou o Bahrein com o fechamento “para sempre” do Estreito de Ormuz. A declaração, feita no sábado (9) pelo chefe da comissão, Ebrahim Azizi, foi uma resposta à apresentação de um projeto de resolução na ONU contra o Irã, liderado por Bahrein e Estados Unidos, visando defender a liberdade de navegação no estreito. O projeto, que busca cessar ataques e cobranças de pedágio por parte do Irã, conta com o apoio de outros países árabes, mas foi criticado pelo embaixador iraniano nas Nações Unidas como “defeituoso” e “parcial”.
Histórico de Tensões e Restrições
As restrições à passagem de navios no Estreito de Ormuz pelo Irã foram impostas inicialmente em 28 de fevereiro, coincidindo com o início de conflitos na região, o que levou a um aumento significativo nos preços do petróleo. Em resposta, os Estados Unidos implementaram um bloqueio naval sobre portos e navios iranianos a partir de 13 de abril. Houve trocas de ataques entre EUA e Irã na quinta e sexta-feira (8), apesar de um cessar-fogo acordado anteriormente, aumentando ainda mais a instabilidade na região.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
