Mudança no Cálculo de Penas e Progressão de Regime
A recente derrubada do veto presidencial ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, ocorrida nesta quinta-feira (30), trará benefícios significativos para um grupo de presos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O cerne da mudança reside na alteração do cálculo das penas e na redução do tempo necessário para a progressão do regime de prisão, passando do fechado para o semiaberto ou aberto.
Impacto Direto nos Condenados de 8 de Janeiro
O grupo principal de condenados pelos atos de 8 de janeiro, que recebeu penas definitivas entre 16 e 24 anos em regime fechado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), será diretamente beneficiado. A derrubada do veto abrange todos os condenados pela tentativa de golpe de Estado. O projeto visa recalibrar a pena mínima e máxima para crimes contra o Estado Democrático de Direito, além de modificar a forma geral de cálculo das penas.
Novas Regras para Crimes Contra o Estado Democrático de Direito
Segundo informações da Agência Câmara, o texto agora sancionado como lei prevê que, quando crimes como tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado forem praticados no mesmo contexto, será aplicada a pena mais grave de um dos crimes, em vez da soma de ambas, como ocorria anteriormente. Essas alterações afetam as regras gerais do Código Penal e da Lei de Execução Penal para qualquer crime contra o Estado Democrático de Direito.
Caso Bolsonaro e Possível Progressão de Regime
Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar humanitário desde 24 de março devido a questões de saúde, mas tecnicamente em regime fechado após condenação a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, poderá ter sua pena progredida. Com a derrubada do veto à Dosimetria, o ex-presidente poderá migrar para regimes mais brandos em um prazo que varia entre dois e quatro anos.
Histórico do Veto Presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia vetado integralmente o PL da Dosimetria em 8 de janeiro deste ano, durante uma cerimônia em defesa da democracia. Na ocasião, Lula justificou a decisão argumentando que o projeto beneficiava aliados políticos e enfraquecia a responsabilização pelos atos golpistas, sinalizando previamente sua intenção de vetar a medida. A derrubada do veto pelo Congresso Nacional reverte a decisão do Executivo.
Fonte: jovempan.com.br
