Evolução de um Ícone
Em 1973, a linha Dodge V8 passou por uma transformação significativa. O Gran Sedan emergiu como o topo de linha na vertente de luxo, posicionando-se acima do icônico Charger R/T esportivo. Apesar de suas distinções, todos os modelos V8 compartilhavam a base do Dodge Dart, sendo o Gran Sedan a versão mais sofisticada do sedã já oferecida.
Requinte e Conforto Sobre Rodas
O Gran Sedan se diferenciava pelo seu acabamento superior, ostentando um teto de vinil e uma série de opcionais que elevavam o patamar de conforto e conveniência. Itens como ar-condicionado, direção hidráulica, freios a disco, rádio de três faixas, cintos de segurança de três pontos, retrovisores com ajustes elétricos e internos antiofuscantes, além de pintura metálica, estavam disponíveis para personalizar a experiência de condução. A traseira exibia uma faixa cromada quadriculada que separava as lanternas, um detalhe que reforçava sua identidade visual.
A Força do V8
Mecanicamente, o Gran Sedan mantinha o robusto motor V8 de 5,2 litros, que entregava 198 cv de potência e 41,5 mkgf de torque. Em testes realizados em outubro de 1972, o desempenho era elogiado pela força nas arrancadas e subidas, além de uma elasticidade notável que permitia ao motorista raramente precisar trocar de marcha, tanto em estradas quanto na cidade. A estabilidade e a capacidade de frenagem também eram pontos fortes destacados.
Renovação e Reconhecimento
Para o modelo de 1975, o Gran Sedan recebeu um novo visual que o consolidou como um sedã de destaque. A grade quadriculada, inspirada no Charger 1973-74, mas com bordas cromadas, conferiu um ar de agressividade elegante ao seu estilo formal. Em um comparativo de junho de 1976, o Dodge Gran Sedan se saiu bem contra rivais como o Ford Galaxie 500, Chevrolet Comodoro, Maverick sedã V8 e Alfa Romeo 2300, conquistando o segundo lugar. Foi o mais econômico entre os modelos V8 testados, com um consumo médio de 6,59 km/l, e atingiu uma velocidade máxima de 174 km/h.
Legado e Originalidade
O exemplar retratado nas fotos é de 1977, um testemunho da durabilidade e do cuidado com que esses veículos eram mantidos. Adquirido zero km por um médico e posteriormente comprado em 2006 por seu atual proprietário, o engenheiro Dionisio Cardille, o carro ostenta 100% de originalidade aos 107.000 km rodados. O Gran Sedan encerrou sua trajetória em 1978, abrindo caminho para o Dodge Le Baron, que manteve o papel de sedã de luxo até o fim das operações da Dodge no Brasil em 1981.
Ficha Técnica e Desempenho
Motor: Dianteiro, longitudinal, V8, 5.212 cm³, carburador de corpo duplo, a gasolina.
Potência: 201 cv a 4.400 rpm.
Torque: 41,5 mkgf a 2.400 rpm.
Câmbio: Manual de 3 marchas, tração traseira.
Dimensões: Comprimento: 496 cm; Largura: 181 cm; Altura: 139 cm; Entre-eixos: 282 cm; Peso: 1.548 kg.
Suspensão: Dianteira independente; Traseira com eixo rígido.
Freios: Disco autoventilado (dianteiros), tambor de acionamento hidráulico com servofreio (traseiros).
Rodas e pneus: Aço, 5,5 x 14, pneus 7,35 S 14.
Desempenho (Teste QUATRO RODAS – Junho de 1976)
Aceleração 0 a 100 km/h: 11,47 s.
Velocidade máxima: 174,17 km/h.
Frenagem 80 km/h a 0: 28,52 m.
Consumo médio: 6,59 km/l.
Preço (Maio de 1976)
Cr$ 95.983 (equivalente a R$ 274.615 nos dias atuais, segundo IGP-DI/FGV).
Fonte: quatrorodas.abril.com.br
