Adolescente: A Origem Misteriosa da Palavra Ligada a uma Deusa Romana e ao Crescimento Ardente

A Raiz Latina: ‘O que Cresce e Queima’

A palavra ‘adolescente’, que designa a fase de transição entre a infância e a vida adulta, tem suas origens profundamente enraizadas no latim. Segundo o escritor Deonísio da Silva, doutor em Letras pela USP, o termo deriva de ‘adolescens, adolescentis’, que significava ‘aquele que cresce, aumenta e queima’. O prefixo ‘ad-‘ já carrega a ideia de movimento em direção a algo, indicando um processo contínuo de desenvolvimento.

O filósofo romano Varrão, no século II a.C., já registrava essa conexão etimológica, afirmando que ‘adolescentes são designados assim de crescer’. Nessa concepção, o ‘adultus’ era o adolescente que já havia completado seu crescimento, e a fase final da vida era representada pelo ‘defunctus’, aquele que cumpriu seu propósito.

Conexão com Rituais Antigos e a Deusa Adolenda

Uma outra vertente etimológica, proposta por Deonísio da Silva, liga o vocábulo ‘adolescente’ à raiz ‘adoles’, que remete a ‘ardente’. Essa interpretação encontra um elo com a deusa menor romana Adolenda. Junto a outras divindades como Commolenda, Deferunda e Coinquenda, Adolenda era invocada em rituais de destruição de árvores através da queima, um processo conhecido como ‘adolere’. Essa origem, segundo o autor, teria contribuído para a associação da adolescência a um período de intensidade e, por vezes, desordem humana.

A Adolescência como Construção Social e Psicológica

Embora a etimologia aponte para um crescimento físico e uma energia latente, a concepção moderna de adolescência é também uma construção social. A psicanalista Luciana Gageiro Coutinho explica que as mudanças socioeconômicas no Ocidente, entre os séculos XVIII e XIX, foram cruciais para moldar o papel do adolescente. Períodos como o Romantismo e a Modernidade influenciaram a percepção do indivíduo como detentor de um caminho único e livre.

O século XX, com a maior ênfase na escolarização, estendeu o período de dependência dos jovens, postergando o casamento precoce e criando um tempo mais libertário para a exploração pessoal. Atualmente, o adolescente se depara com o desafio de equilibrar suas transformações internas com as rápidas mudanças tecnológicas e sociais, vivenciando uma fase de adaptação constante.

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

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