Quem era Luiz Phillipi Mourão, o ‘Sicário’ de Daniel Vorcaro, que morreu sob custódia da PF

Quem era Luiz Phillipi Mourão, o ‘Sicário’ de Daniel Vorcaro, que morreu sob custódia da PF

Apontado como coordenador operacional do esquema do Banco Master, Mourão foi encontrado morto enquanto estava detido na Superintendência Regional de Minas Gerais.

O ‘Sicário’ do Banco Master

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, conhecido como “Sicário” de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mantinha uma relação direta de prestação de serviços com o banqueiro. A Polícia Federal (PF) informou que Mourão tirou a própria vida na quarta-feira (4), enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional de Minas Gerais. Ele era um dos alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

Coordenador de Operações e Coleta de Informações

De acordo com o documento de decisão da prisão de Vorcaro, assinado pelo ministro André Mendonça, Mourão atuava como um “ajudante” de Vorcaro, sendo responsável pela coleta de informações sigilosas. Seu papel incluía o monitoramento de pessoas e a neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado, informalmente chamado de “A Turma”. Nesse contexto, Mourão organizava e executava ordens para identificar, localizar, acompanhar e até ameaçar indivíduos que tivessem relação com investigações ou críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master. Os alvos podiam ser concorrentes empresariais, ex-empregados ou jornalistas.

Acesso a Sistemas e Pagamentos Milionários

As investigações apontam que, através dessa metodologia, Mourão teria obtido acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol. O documento também revela conversas entre Mourão e Vorcaro nas quais o banqueiro solicitava serviços ilícitos ao “Sicário”, com pagamentos que poderiam chegar a R$ 1 milhão por mês. Evidências comprovam que Luiz Phillipi Mourão atuava como intermediário entre os desejos de Vorcaro de influenciar a opinião pública e influenciadores contratados pela organização criminosa.

Projeto DV e Ataque à Reputação do Banco Central

A contratação desses influenciadores visava a execução do “Projeto DV”, cujo objetivo era atacar a reputação do Banco Central do Brasil. Isso ocorreu no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União (TCU) sinalizava a possibilidade de anular a liquidação extrajudicial do Banco Master. A Jovem Pan apurou que um protocolo de morte cerebral foi aberto para Mourão. Nesses casos, é necessário aguardar horas para confirmar o óbito, pois, mesmo com batimentos cardíacos, o corpo não consegue mais respirar sem aparelhos, caracterizando a morte encefálica.

O Caso Banco Master

Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, Banco Master de Investimentos S/A, Banco Letsbank S/A e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, após identificar irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez. Em janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve seu encerramento forçado. A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro, combate a emissão de títulos de crédito falsos. Vorcaro foi preso um dia antes da primeira fase da operação, mas liberado posteriormente com tornozeleira eletrônica. Investigações indicam que o Banco Master oferecia CDBs com rentabilidade acima do mercado, assumindo riscos excessivos e inflando artificialmente seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores, com um total de R$ 40,6 bilhões em garantias.

Ajuda: Caso você esteja passando por pensamentos suicidas, procure o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188 ou os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia e atende por e-mail, chat e pessoalmente.

Fonte: jovempan.com.br

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