Toyota Yaris Cross Flex: Desempenho e Consumo Decepcionam, Deixando Híbrido no Chinelo

Yaris Cross Flex: Uma Fatura de Problemas sem o Brilho Híbrido

O Toyota Yaris Cross finalmente desembarca nas concessionárias brasileiras, mas a versão de entrada, equipada apenas com motor a combustão, expõe fragilidades que a configuração híbrida tentava disfarçar. A linha flex conta com três variantes: XR (R$ 149.990), XRE (R$ 161.390) e a topo de linha XRX, que custa R$ 178.990. A diferença para o híbrido se resume à mecânica e a um discreto botão “modo EV” no interior, além do emblema “HEV” na traseira. O pacote de equipamentos e o design exterior são idênticos.

Design: Um Flashback do RAV4 Antigo

Visualmente, o Yaris Cross parece ter parado no tempo, com linhas que remetem à geração passada do RAV4. Apesar disso, o resultado agrada, com destaque para a iluminação full LED na dianteira (exceto piscas) e o acendimento automático dos faróis. Sensores de estacionamento e a câmera 360° complementam o pacote, que inclui rodas de 18 polegadas na versão XRX, com pneus 215/55. A traseira também lembra o RAV4, com lanternas em LED e sensores de ré. No entanto, a tampa do porta-malas, com abertura automática, é um ponto de atenção: sua amplitude pode facilitar o acionamento de sensores em pequenas colisões traseiras.

Interior: Plásticos Rígidos e Sensação de Aperto

Se o exterior cumpre seu papel, o interior do Yaris Cross XRX decepciona. O acabamento é um ponto fraco, com predominância de plásticos rígidos, rebarbas e um visual simplório, mesmo com algumas áreas macias no painel e portas dianteiras. A tentativa de refinar o ambiente com misturas de materiais resulta em um visual poluído, com painel de múltiplos volumes e profundidades. A sensação de aperto é reforçada pela “aba” dispensável no console central. A quantidade de botões físicos, embora ajude na usabilidade, carece de refinamento no clique e apresentação. As telas também mostram defasagem: a multimídia de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio tem layout simples e imagem mediana. O quadro de instrumentos, com tela de 7 polegadas, exibe poucas informações e qualidade de imagem aquém do esperado, com variação incômoda nas cores das luzes-espia.

Desempenho: Longe de Ser um SUV Esportivo

O motor 1.5 flex, com 122 cv e 15,3 kgfm de torque, associado a um câmbio CVT de sete marchas virtuais, é conservador e fica abaixo da maioria dos concorrentes. Em testes, o Yaris Cross XRX acelerou de 0 a 100 km/h em 13,3 segundos, um resultado inferior ao de rivais como o Honda HR-V. O consumo também não impressiona: 11,2 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada com gasolina. O motorista sentirá a falta de fôlego em saídas e retomadas, com o motor elevando o giro excessivamente, gerando ruído incômodo na cabine. Os modos de condução Eco e Power oferecem pouca variação, com o primeiro prejudicando ainda mais o desempenho e o segundo tornando o pedal do acelerador excessivamente sensível. A dirigibilidade é firme e a direção direta, mas a sensação de aperto e a posição de dirigir, com coluna de direção com pouca regulagem de profundidade, comprometem o conforto.

Veredicto: Caro e Sem Argumentos Fortes

O Toyota Yaris Cross XRX flex oferece bom espaço interno e um pacote de equipamentos condizente com a média do segmento. Contudo, o preço elevado, somado às deficiências em tecnologia, acabamento e desempenho, o coloca em desvantagem clara. A versão a combustão, em particular, perde os poucos argumentos de eficiência que a configuração híbrida poderia apresentar, tornando a escolha ainda mais difícil para o consumidor.

Fonte: quatrorodas.abril.com.br

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