Novas conversas técnicas marcadas para Viena
Representantes dos Estados Unidos e do Irã encerraram nesta quinta-feira (26) a terceira rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, realizada em Genebra, na Suíça, com a mediação de Omã. Ambos os lados relataram ter alcançado “bons avanços”, embora um acordo final ainda não tenha sido fechado. Uma nova rodada de discussões, desta vez em nível técnico, está prevista para a próxima semana em Viena, Áustria.
“As mais sérias” negociações, segundo Teerã
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, descreveu as conversas como “as mais sérias” já realizadas entre as partes. Ele destacou que houve um progresso significativo e que as discussões “entraram seriamente nos elementos de um acordo”. No entanto, Araghchi admitiu que, apesar de muitas posições terem se aproximado, “ainda existem diferenças”. O chanceler de Omã, Badr bin Hamad al Busaidi, que mediou o encontro, também confirmou o “progresso significativo” alcançado.
Pressão americana e ponto de discórdia nuclear
O diálogo acontece em um contexto de forte pressão por parte de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a presença militar no Oriente Médio e advertiu sobre possíveis ações contra o Irã caso não haja avanços diplomáticos. O ponto central das negociações é o programa nuclear iraniano. Enquanto Teerã afirma que suas atividades são exclusivamente para fins civis, os EUA buscam limitar o enriquecimento de urânio para impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo país. Exigências americanas incluem a entrega de mais de 400 quilos de urânio enriquecido acima dos níveis permitidos para uso civil, o que o Irã rejeita.
Programa de mísseis balísticos é outro obstáculo
Além da questão do urânio, os Estados Unidos também defendem que o programa de mísseis balísticos do Irã seja incluído nas negociações. Contudo, o regime iraniano se recusa a discutir este ponto no formato atual das tratativas. A presença do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, no local das negociações em Genebra, embora sem participação direta nas conversas, reforça a importância do acompanhamento do órgão internacional.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
