Reforma busca estabilidade e continuidade
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, propôs uma reforma constitucional que visa estender o mandato presidencial de seis para sete anos. A iniciativa, enviada à Assembleia Legislativa controlada pelo governo, também busca barrar a participação da oposição nas eleições. Segundo o presidente do Congresso, Gustavo Porras, a extensão do mandato “garante estabilidade na visão, nas operações e na continuidade”. A proposta ainda não foi totalmente divulgada, mas a intenção é aprovar as leis no início de setembro.
Exclusão da oposição como foco principal
Ortega, que frequentemente se refere a seus opositores como “traidores” e “golpistas” a serviço dos Estados Unidos, quer impedir que esses grupos participem das próximas eleições. A copresidente e esposa de Ortega, Rosario Murillo, informou que o plano de reforma foi compartilhado com o corpo diplomático e que haverá “consultas” com setores da sociedade nicaraguense antes da aprovação. Em 2024, uma reforma já havia ampliado o mandato presidencial de cinco para seis anos e adiado as eleições de 2027 para novembro de 2027.
Reações internacionais e controle do poder
A intenção de Ortega de excluir partidos de oposição das eleições tem sido rejeitada por diversos países e organizações internacionais. Os Estados Unidos advertiram que não ficarão “de braços cruzados” diante do que chamam de “ditadura”, enquanto a União Europeia (UE) exortou o governo nicaraguense a convocar eleições “em conformidade com as normas internacionais”. O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou o rompimento de relações com a Nicarágua. Por outro lado, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu a autodeterminação de cada país.
Contexto político e histórico
Daniel Ortega, ex-guerrilheiro de esquerda, está no poder há quase 20 anos. Ele e sua esposa, Rosario Murillo, governam com poder absoluto e forte controle social, especialmente após a repressão aos protestos de 2018, que resultaram em mais de 300 mortos, segundo a ONU. O casal presidencial considera essas manifestações uma “tentativa de golpe de Estado” orquestrada pelos Estados Unidos. A reforma proposta agora reforça a concentração de poder e limita o espaço democrático no país.
Fonte: jovempan.com.br
