Reino Unido Implementa “Toque de Recolher Digital” para Jovens nas Redes Sociais

Restrição Noturna e Desativação de Recursos Viciantes

O governo do Reino Unido anunciou um plano ambicioso para restringir o acesso de adolescentes de 16 e 17 anos às redes sociais durante a madrugada. A proposta, que visa combater o uso excessivo e seus potenciais impactos negativos, estabelece um bloqueio automático de aplicativos populares como Instagram, TikTok e YouTube no período entre meia-noite e 6h. Este recurso será ativado por padrão, mas com a opção de desativação nas configurações da conta. Além disso, funcionalidades consideradas “viciantes”, como a reprodução automática de vídeos e feeds de conteúdo personalizado contínuo, também serão desativadas por padrão para essa faixa etária.

Ampliando o Pacote de Restrições Digitais

Esta nova medida complementa um pacote de restrições já anunciado em junho, que inclui a proibição total de redes sociais para menores de 16 anos, prevista para o primeiro semestre de 2027. Segundo o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia (DSIT), o objetivo é criar uma transição mais suave para os jovens ao completarem 16 anos, evitando uma mudança abrupta nas regras de acesso. A ministra da Tecnologia, Liz Kendall, destacou que as medidas visam promover melhorias no sono, concentração nos estudos e maior tempo de qualidade com a família. O ministro da segurança online, Kanishka Narayan, afirmou que a combinação do toque de recolher com a limitação do autoplay tornará o Reino Unido um líder global em regulação de plataformas digitais.

Baseado em Testes e Debates com Especialistas

A proposta do “toque de recolher digital” foi moldada com base em um projeto piloto envolvendo mais de 300 adolescentes e suas famílias. Os testes exploraram alternativas como limitar o uso diário, bloquear o acesso em horários específicos ou excluir aplicativos. O bloqueio noturno demonstrou ser a opção mais sustentável e com resultados mais consistentes na melhora do sono. Relatos de famílias indicaram que os adolescentes passaram a dormir mais cedo, sentiram mais disposição e aumentaram as interações presenciais. No entanto, alguns jovens expressaram sentimentos de isolamento e mudanças de humor durante a adaptação, comparados por pais a um quadro de abstinência. Críticos, como a ativista Ellen Roome, cujo filho faleceu após um desafio online, argumentam que um recurso facilmente desativável não resolve o cerne do problema. Outros, como a parlamentar Laura Trott e Andy Burrows da Molly Rose Foundation, consideram as medidas fragmentadas e insuficientes.

Considerações Adicionais e Perspectivas Internacionais

O governo britânico optou por não restringir o uso de VPNs, ferramentas que poderiam ser usadas para contornar os bloqueios, citando que a porcentagem de menores que as utilizam para burlar verificações de idade é considerada baixa. O pacote regulatório também abordará o uso de chatbots de inteligência artificial por menores, com pausas obrigatórias e restrições a assistentes de saúde mental sem verificação. Outros países também exploram caminhos semelhantes: a União Europeia discute uma “maioridade digital” que restringiria o uso pleno de plataformas a maiores de 18 anos, e a Austrália, pioneira na proibição de redes sociais para crianças, enfrenta desafios na eficácia da verificação de idade.

Fonte: canaltech.com.br

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