A Nova Estratégia de Investimento Americano
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o governo dos Estados Unidos tem adotado uma postura agressiva no mercado, investindo aproximadamente US$ 26,7 bilhões para se tornar acionista de empresas consideradas estratégicas. O foco principal reside na segurança nacional e no controle de tecnologias de ponta, como semicondutores (chips) e minerais raros, essenciais para o desenvolvimento tecnológico e militar.
Empresas na Mira do Governo Americano
Gigantes da tecnologia e da indústria já sentiram o impacto dessa nova política. A Intel, por exemplo, viu o governo americano adquirir uma participação de 9,9% em suas ações. Outra empresa que recebeu investimento significativo foi a USA Rare Earth, com 10% de suas ações agora sob controle estatal. Recentemente, surgiram negociações para que a OpenAI, a criadora do popular ChatGPT, ceda 5% de suas ações ao governo. Além do setor de tecnologia, a ‘golden share’ foi utilizada na U.S. Steel, concedendo ao presidente poder de decisão em assuntos de interesse nacional.
O Impacto Direto no Brasil: Mineração de Terras Raras
A influência dessa estratégia americana chega ao Brasil de forma contundente através do setor de mineração. A USA Rare Earth, agora com o governo dos EUA como sócio, realizou a compra da mineradora brasileira Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde detém o posto de única produtora em grande escala de terras raras no país. Esses minerais são vitais para a fabricação de uma vasta gama de produtos, desde smartphones e carros elétricos até equipamentos militares de alta tecnologia.
A Importância das Terras Raras e a Segurança de Suprimentos
As terras raras, apesar do nome, não são necessariamente raras em si, mas sua extração e separação são processos complexos e custosos. Elas formam a espinha dorsal da tecnologia moderna. Atualmente, a China domina cerca de 90% do mercado global desses minerais. Diante desse cenário, os Estados Unidos optaram por investir diretamente em mineradoras fora da Ásia, como a Serra Verde no Brasil, para assegurar o suprimento contínuo de terras raras para suas indústrias de defesa e inteligência artificial, mitigando riscos de bloqueios comerciais.
Por que Tornar-se Acionista em Vez de Apenas Subsídios?
A justificativa para essa intervenção estatal direta reside na percepção de que o mercado, por si só, tem dificuldades em competir com os preços baixos impostos pela China. Ao se tornar sócio, o governo americano não só divide os riscos financeiros com os empresários, mas também ganha assento nos conselhos das empresas. Essa participação acionária garante que as prioridades de segurança nacional sejam consideradas nas decisões corporativas e, potencialmente, permite ao Estado obter lucros com a valorização futura dessas companhias.
Riscos da Intervenção Estatal no Setor Privado
Especialistas alertam para os potenciais riscos dessa forte intervenção estatal, como a politização do setor privado e o surgimento de conflitos de interesse. O governo passa a acumular papéis de regulador, cliente e, agora, também de acionista, o que pode gerar tensões. Um exemplo citado é a Intel, onde, logo após críticas públicas de Trump ao CEO da empresa, o governo fechou um acordo para se tornar sócio, mudando o tom das declarações oficiais de críticas para elogios.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
